Cemitério João XXIII ganhará calçadas e muros no formato de palitos
Cemitério João XXIII ganhará calçadas e muros no formato de palitos | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

Desde o ano passado a prefeitura tem promovido algumas melhorias em cemitérios de Londrina, com o intuito de coibir ações criminosas e melhorar a estrutura dos ambientes. Mesmo com as medidas, a população que tem familiares e amigos enterrados nestes espaços cobram mais efetividade e ações. No cemitério Padre Anchieta, no jardim Ideal, zona leste, por exemplo, não é preciso muitos passos adentro para notar o estado de vandalismo e violação dos jazigos.

Em meio a centenas de túmulos do cemitério, poucos são os que não têm algum tipo de depredação, como vidros e granitos quebrados e placas de bronze, de metal, puxadores, fotos e artes sacras furtados. Enquanto algumas sepulturas ainda mantêm algum tipo de identificação que não foi levada pelos bandidos, outras já não têm mais nenhum letreiro ou imagem que possa indicar a quem pertence ou data da morte. Com muro baixo, o arame farpado na ponta da estrutura apresenta falhas.

Morando há pouco tempo na região leste da cidade, a agricultora Alzimira Moura de Alcantara costuma ir ao Padre Anchieta, onde estão enterrados conhecidos. Para chegar até a área certa, busca na memória, já que eles não dispõem mais de placas. “Está muito feio aqui. É uma falta de respeito grande. Não estão perdoando nem os mortos. Quem entra aqui precisa saber bem onde quer ir, pois ao contrário não vai achar”, lamenta. Além destas situações, o lugar está com as calçadas dos corredores das quadras cheias de ondulações e desgastadas, oferecendo risco a idosos e dificultando a locomoção de pessoas com limitações motoras.

No cemitério Padre Anchieta, são poucos túmulos que não foram alvo de vandalismo e furto
No cemitério Padre Anchieta, são poucos túmulos que não foram alvo de vandalismo e furto | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

REFORMA
No cemitério João XXIII, na área central de Londrina, a situação não é diferente e também causa indignação. “Furtaram no ano passado a fotografia e os puxadores do túmulo onde está enterrada minha mãe e esposa. A sensação com isso é ruim, pois mexe com algo que é muito sério. Deveriam tomar mais cuidado, colocar segurança a noite”, sugere Juan Leon. Com passagens em que praticamente todos os sepulcros estão violados, ainda podem ser vistas algumas pichações espalhas.

Com o objetivo de não entrar para a estatística de quem já teve prejuízo, o vendedor Taketo Yasuda colocará entalhe em mármore no jazigo da família. “Assim eles não vão ter o que levar. Morei no Japão por 12 anos e lá não tem nada disso. Se algum oriental vir morar no Brasil e encontrar isso se assusta e vai embora. Estou horrorizado”, reflete. “Me chamou atenção o quanto as calçadas estão detonadas”, completa.

O cemitério, que é o mais antigo do município e foi inaugurado em 1964, teve iniciada neste mês de julho a execução de calçadas por toda sua extensão, o que totalizará dois mil metros em concreto e piso paver. O projeto contempla também a construção de um muro em seu entorno, no formato de palitos. O investimento é de R$ 640 mil, recurso proveniente da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários), por meio da taxa de manutenção dos cemitérios. “É algo necessário”, comenta Yasuda.

Outras melhorias previstas no João XXIII são a construção de um estacionamento e 44 metros de ciclovia, além de reparos na pintura e sinalização. Vai ser disponibilizada uma área para futura implantação de academia ao ar livre. “Serão inseridos 6.700 metros de grama esmeralda entre o cemitério e a calçada externa”, ressaltou.

SÃO PEDRO
Localizado entre a avenida Juscelino Kubitschek e a rua Alagoas, o cemitério São Pedro apresenta melhor estado em relação aos outros e em comparação ao que a reportagem encontro em visita em maio de 2018. O espaço, que chegou a registrar até violação de corpos, teve seus muros levantados em mais de um metro e a praça em seu interior revitalizada. Agora, o maior número de sepulcros com peças furtados estão concentrados nas extremidades do cemitério.

“Está melhor, principalmente após levantarem o muro. Parece que os furtos deram uma diminuída boa. No túmulo da minha família furtaram as placas no ano passado, trocamos há uns sete meses e desde então não mexeram mais. Porém pode melhorar, em especial a questão de calçada em alguns lugares, iluminação e segurança”, opina Claudete de Fátima Vicente.

ILUMINAÇÃO

Está em fase final de avaliação, para depois ser assinado, o contrato da Acesf com a Sercomtel Iluminação para que a empresa instale postes de iluminação nos cemitérios João XXIII, Padre Anchieta e São Pedro. Serão dez estruturas por espaço, com lâmpadas de LED com duas luminárias cada. O custo é de aproximadamente R$ 150 mil ao todo.

“O documento está no (setor) jurídico do município, e está sendo feita uma revisão, se tudo estiver ok, deve ser liberado em breve. A iluminação não será como de uma praça, entretanto, vai facilitar muito e dar maior visibilidade, já que isso hoje é inexistente. Vai melhorar também para a segurança”, elencou Leonilso Jaqueta.

REDUÇÃO DE RECLAMAÇÕES

De acordo com ele, as reclamações sobre furtos diminuíram substancialmente nos últimos meses. “Temos relatos esporádicos. Infelizmente em alguns casos não apareceu mais nada por já não ter muito o que levar”, reconheceu. “A Guarda Municipal e polícia tem nos ajudado de maneira importante, inclusive com algumas ações”, completou. Sobre fixar câmeras em cemitérios, a intenção é confeccionar edital deste tipo após a iluminação. Atualmente, somente o São Pedro dispõe e é um equipamento.

Um muro no formato de palitos deverá ser edificado a partir do próximo ano no Padre Anchieta, com a demolição do atual. “A ideia inicial era levantar uma parte, assim como feito no São Pedro, porém engenheiros da prefeitura apontaram que não compensa, porque está muito danificado”, explicou. Em relação à melhoria do calçamento interno dos cemitérios, Jaqueta classificou o trabalho como difícil. “Os espaços foram construídos sem projeto e não privilegiou o pedestre e acessibilidade, por isso são ruas irregulares e não tem muito o que fazer.”

CEMITÉRIO VERTICAL

Em 2016, a Prefeitura de Londrina anunciou que o município construiria um novo cemitério, em terreno de 48,5 mil metros quadrados, comprado por cerca de R$ 2 milhões na zona norte. De lá para cá, a iniciativa não vingou e o plano do poder público agora está focado em outros tipos de estruturas. “A atual administração municipal entende diferente da anterior e estamos discutimos a questão de cemitério vertical, vendo possibilidade de lugares. Um deles, por exemplo, seria ao lado do Padre Anchieta, aproveitando uma área de quase quatro mil metros”, afirmou.

mockup