Maigue Gueths
De Curitiba
O curitibano não parece estar muito preocupado com as especulações de que o último eclipse solar do milênio, que acontece amanhã, possa ser um sinal dos céus, uma confirmação das profecias de Nostradamus, indicando o fim do mundo. A procura por consultas a esotéricos não aumentou nos últimos dias, assim como as livrarias do ramo também não registraram crescimento substancial nas vendas de artigos especializados. O que se nota nas livrarias é que a preocupação maior não se refere ao fim do mundo, mas sim a uma velha superstição: a de que sexta-feira 13 é dia de azar, mais ainda quando se trata de sexta-feira, 13 de agosto.
No final de semana, boatos pela cidade davam conta que muitas crianças faltariam às aulas na quarta-feira para ficar em casa no dia do fim do mundo. A Secretaria Municipal de Educação, no entanto, não registrou nenhum movimento neste sentido em suas escolas. ‘‘As crianças vêem o assunto na televisão e perguntam, mas os professores estão explicando e elas não estão com medo’’, diz a diretora da Escola Municipal Mansur Guérios.
O mesmo acontece na Escola Municipal Joaquim Távora. ‘‘Pelo menos até agora nenhuma criança nos comunicou que não viria à aula na quarta-feira por causa do fim do mundo’’, diz a diretora Sonia do Rocio Schultz Lima.
A maioria das religiões também não acredita que o mundo acabe amanhã. Até os Testemunhas de Jeová, que crêem que estamos vivendo perto dos últimos dias, não temem o dia 11, nem a sexta 13. ‘‘A bíblia diz que vai haver um dia para o ajuste de contas com Deus, mas não se sabe o dia nem a hora. Mas para acontecer este julgamwento ainda faltam alguns sinais’’, diz João Fernando Rotta, ancião dos Testemunhas de Jeová.
‘‘A bíblia vem se cumprindo, mas ela não prevê nada para esta data’’, diz o pastor da Igreja Evangélica Quadrangular, Nilson Martins Moura. A Igreja Presbiteriana também não acredita no fim do mundo. Para o pastor Juarez Marcondes Filho, ‘‘a história caminha para um propósito, uma finalidade e não para um fim catastrófico’’.
A irmã Egnalda Rocha, assessora de comunicação da Cúria Metropolitana, acredita que a crença sobre o fim do mundo acontece porque o fim do milênio causa insegurança nas convicções pessoais e eclesiais.
Para algumas pessoas mais suscetíveis, no entanto, as notícias sobre o fim do mundo podem servir de estopim para tragédias. É o caso de Francisco Rodrigues de Sena, de 27 anos, que matou o padrasto Arildo Aparecido de Campos, de 30 anos, no último sábado. Sena havia saído de uma igreja evangélica pouco antes do crime e desferiu um golpe de faca no peito de Arildo, que estava dormindo. A atitude teria o intuito de livrar o padrasto do fim do mundo, que está próximo. Policiais do 7º Distrito Policial, que atenderam o caso, disseram que o rapaz apresenta sinais de desequilíbrio mental.A preocupação maior parece ser a sexta-feira, 13, em pleno mês de agosto, que chega dois dias depois do ‘‘fim do mundo’’
Mauro FrassonO mundoAs previsões catastróficas não estão assustando as pessoas que tratam o assunto como uma brincadeira

mockup