Curitiba – Moradores e comerciantes do bairro Capão Raso, em Curitiba, vivem uma contradição. Mesmo passando por um clima de tensão pelo crescente número de pequenos roubos e furtos, que vêm ocorrendo há seis meses, os moradores não têm o hábito de ir até a polícia dar queixa. Quem constata o fato é Neimir Cristovão, superintendente do 8º Distrito Policial, responsável pela segurança do bairro e redondezas.
  A comunidade levou a reclamação de falta de segurança para o vereador Tico Kuzma (PSB), que, por sua vez, enviou ofícios e requerimentos, em caráter de urgência, para a polícia pedindo reforço de segurança na região. Mas Cristóvão diz que o registro de boletins de ocorrência não aumentou no período. ‘‘Não temos recebido queixas. Na região, não ocorrem furtos e roubos pontuais’’, garante o superintendente do 8º DP, referindo-se às vilas Ipiranga e Araça, no Capão Raso, onde as reclamações são mais freqüentes.
  A queixa constante dos moradores, porém, é de que os quintais das casas são invadidos por bandidos durante a madrugada. O resultado é o furto de botijões de gás, pneus e eletrodomésticos. Muitas vezes, por serem furtos pequenos, as pessoas não vão até a polícia. ‘‘A população está fazendo o caminho inverso. Primeiro procura o político para depois procurar a polícia’’, critica Cristovão. Ele afirma que se não houver o boletim de ocorrência, a polícia fica sem dados para planejar o policiamento. ‘‘Se acontecer um furto, as pessoas têm de procurar as delegacias’’, orienta.
  Com queixa ou não, os crimes estão acontecendo e a população reclama. Há cerca de 20 dias, um lojista que preferiu não se identificar sofreu um assalto à mão armada. O ladrão entrou em seu comércio e levou o dinheiro do caixa. O lojista, no entanto, não deu queixa na polícia. Alega que não valia a pena.
  Em outro caso, numa loja próxima, as vítimas registraram o boletim de ocorrência. Daniele Gomes, que trabalha no estabelecimento da família, sofreu há alguns dias uma tentativa de assalto por volta do meio-dia. O ladrão estava armado. Ela gritou e ele fugiu. Mesmo sem ter sido lesada, ela reclama da insegurança. ‘‘Ficou mais perigoso a partir desse ano. A gente sente a falta de segurança’’, diz ela.
  A polícia orienta para que as vítimas de furto sigam o exemplo de Daniele e dêem queixa na polícia. ‘‘Só assim podemos planejar a segurança da região’’, diz o superintendente da 8º DP.

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