O que provoca a imigração? Na opinião do professor de história da Universidade Federal do Paraná Sérgio Natalin, são componentes sócio-econômicos que movem as pessoas a romper com as famílias para se aventurar em um território desconhecido. ‘‘Dinheiro, ascensão social, educação, cultura, ou seja, tudo que aponte perspectiva de crescimento, acima da encontrada onde se vive, faz com que habitantes deixem o território em busca de uma espécie de eldorado’’, diz. Para o professor, avaliando de forma simplista, este seria o motivo que hoje e ontem trouxe imigrantes ao Brasil.
Natalin ressalta que mesmo existindo pontos comuns, os processos migratórios registrados na formação do Paraná e agora distinguem-se pela qualificação do profissional e pela condição econômica. ‘‘No início do século, vieram camponeses pobres, com técnicas de plantio um pouco acima da nacional, para substituir a mão-de-obra escrava, extinta na metade do século passado’’, comenta. Hoje, os que estão chegando ao Brasil ou são comerciantes ou profissionais liberais, que possuem algum tipo de bem.
O professor diz que o processo de povoamento do Estado com imigrantes europeus foi estabelecido pelo governo imperial. ‘‘D. Pedro, que era casado com Leopoldina, da Aústria, priorizou a vinda de alemães, considerados uma raça adequada para o processo’’, diz. Na época, em 1860, a Alemanha vivia um momento crítico, com o aumento da população e a falta de empregos para os habitantes. ‘‘Também, com a revolução industrial, os meios de transportes começaram a ficar mais baratos e acessíveis’’, diz. Mais tarde, o mesmo fenômeno se estendeu à Itália e países eslavos - Rússia (Ucrânia) e Polônia.
‘‘As áreas escolhidas obedeciam a um planejamento local, que previa inclusive o repasse de tecnologia de plantio dos europeus para os brasileiros’’, comenta. Em Cerro Azul, foram colocados numa colônia ingleses, franceses, alemães e brasileiros. Esse processo perdurou até 1929, quando aconteceu o crash nas bolsas internacionais. ‘‘A partir dessa data, as portas se fecharam em todo o mundo e as imigrações passaram a funcionar por cotas’’, diz.
Antes do crash, os árabes (sírios e libaneses) se instalaram em Prudentópolis e passaram a atuar como mascates nas grandes cidades. Também os holandeses e alemães-suábios começaram a migrar para Palmeira e Castro, formando as colônias de Castrolândia e Wittmarsun. ‘‘Nessa época, aparecem os primeiros estrangeiros profissionais, artesãos, com nível cultural e social, um pouco mais refinado que o da primeira leva de imigrantes’’. Esse perfil prevaleceria no pós-guerra entre os alemães, italianos e russos (ucranianos). (I.R.)

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