A situação da população indígena da região de Londrina está precária. Diariamente eles se deparam com problemas como falta de médicos e medicamentos, unidades de saúde necessitando reforma e ausência de abrigos adequados quando vêm da reserva para a cidade comercializar o artesanato. Toda essa situação, segundo eles, é consequência da transferência da coordenação regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina para Santa Catarina, ocorrido em 2010. Outro fator que prejudica é a transferência das atribuições da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), cuja sede do distrito sanitário especial indígena (DSEI) a qual Londrina está vinculada também fica em Santa Catarina.
Segundo o cacique João Cândido, da reserva indígena do Apucaraninha, localizada em Tamarana, a transferência ocorrida em 2010 tornou o escritório da coordenação técnica local sem autonomia para atender a demanda dos índios rapidamente. "Caiu muito a qualidade do atendimento", reclamou. "Antigamente nós solicitávamos algo e éramos atendidos no mesmo dia. Hoje fazemos um pedido e ele demora de 15 dias até meses para ser atendido. Isso quando somos atendidos´´, reclamou outro índio ouvido pela reportagem, na sede regional da Fundação.
Outro exemplo citado é com relação aos pedidos de sementes que anteriormente eram enviadas em quantidade suficiente para todas as famílias. "Agora eles mandam 10% a menos do que a demanda e atrasam a entrega a tal ponto que colocam em risco a safra", afirmou Cândido. Segundo ele, o atraso resulta na quebra da colheita em 50% - se antes era possível conseguir R$ 6 mil anuais por família com o fruto desse trabalho, hoje esse valor está em R$ 3 mil.
Uma fonte alternativa de renda é a venda de artesanato na área urbana de Londrina, mas mesmo para isso eles enfrentam dificuldades. O Centro Cultural Kaigáng Vãre, localizado na Avenida Dez de Dezembro (zona sul) já foi alvo de incêndio e permanece fechado. Não há outro entreposto ou abrigo onde os indígenas possam ficar durante estadia na cidade.
"Antigamente existiam casas aqui ao lado (do centro cultural) onde podíamos ficar e também utilizar o banheiro, mas eles demoliram sob o argumento de que construiriam um novo abrigo, mas até agora nada foi feito", reclamou Levi Menegildo, de 32 anos, da reserva Água Branca, em Tamarana.
Atualmente 60 pessoas ficam em um acampamento improvisado ao lado do centro cultural, em um local sem sanitários e com apenas uma torneira disponível para todos. "Cada família vem para a cidade e fica por 15 dias para tentar vender os balaios", explicou Menegildo. Ele ressaltou que o dinheiro da passagem antigamente era pago pela Funai, mas agora é o cacique quem arca com as despesas.
Cada balaio é vendido por preços que variam entre R$ 20 e R$ 25 e o dinheiro da comercialização, também não tem sido suficiente, segundo eles. A solução, revelam alguns, é recorrer aos mais velhos, que recebem aposentadoria, ou então àqueles que têm direito ao Bolsa Família.

Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

- Atividades da Funai ficam paralisadas

- MPF entrou com três ações

mockup