População idosa em crescimento
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quinta-feira, 12 de maio de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Cambé - Ontem, dia 12 de maio de 2011, Maria Belizário completou 100 anos de vida e o que é melhor, com boa saúde. A data, que não poderia passar em branco, foi festejada com algumas servidoras da Unidade de Saúde Básica de Cambé (Norte), que prepararam uma festa surpresa na casa de dona Maria. De acordo com o geriatra Marcos Cabrebra, nunca houve tantos centenários como atualmente e dados do IBGE confirmam aumento da população idosa.
Maria mora com a neta Tereza Tiburcio, 36 anos, e ainda tem disposição para educar as bisnetas Alicia, de 1 ano, e Bruna, 17, ensinando afazeres domésticos e a importância de se respeitar o próximo. ''Ela sempre foi uma pessoa calma, que trabalhou muito na roça e que deu valor às coisas certas da vida'', conta Tereza, que mora com a avó há mais de 30 anos. ''Foi ela quem me criou.''
Nascida em Astolfo Dutra (MG), Maria mudou-se para o Paraná ainda jovem e constituiu uma grande família. Viúva há 40 anos, também viu quatro dos seus setes filhos morrerem, mas teve a alegria de conhecer bisnetos e até uma trisneta. A clínica geral Josiane Pasello diz que durante os cinco anos nos quais presta assistência à centenária nunca diagnosticou nenhuma enfermidade grave. ''Ela não toma nenhum medicamento para pressão, diabetes, colesterol, nada'', afirma.
De acordo com o geriatra Marcos Cabrebra, o número de octagenários, nonagenários e centenários tem aumentado e a sociedade precisa estar preparada para atender essas pessoas. ''É importante entender que hoje existe condição de se ter vida longa com qualidade. Aos 95 anos, você ainda pode ter um papel importante na família, ter uma vida conjugal e manter o papel como cidadão. Evidentemente, que haverá alterações que o tornam mais vulnerável, mas isso não significa que não possa mais realizar tarefas e deva ser esquecido.''
Segundo ele, a sociedade não deve buscar uma longevidade extrema (acima de 85 anos), mas uma longevidade digna. ''O ponto mais importante é acreditar que é possível ter uma velhice com qualidade'', orienta o especialista, que enumera os hábitos para um envelhecimento saudável: comer muitas frutas, verduras, cereais, produtos integrais e evitar gordura, acúçar e sal; ter controle moderado da bebida alcóolica; praticar atividade física regular e não fumar.
''Se fizermos isso, vamos manter as condições biológicas, mas não é suficiente. Temos que nos manter ativos fisicamente, mentalmente, afetivamente e espiritualmente. O que não podemos mais é viver de maneira caótica, achando que é natural'', ressalta.


