População fica sem consulta médica
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sexta-feira, 26 de novembro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Nova América da Colina Pacientes de Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio) não estão sendo consultados por médicos especialistas do Consórcio Intermunicipal de Saúde Norte do Paraná (Cisnop), em Cornélio Procópio, que atende 22 cidades da região pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O órgão bloqueou o atendimento à população do município porque a prefeitura não tem pago as parcelas atrasadas de uma dívida acumulada. Mensalmente, 250 pessoas de Nova América, em média, costumavam utilizar o Cisnop. O atendimento foi bloqueado há seis meses.
''O regimento interno do consórcio tem uma norma especificando que as prefeituras em atraso estão sujeitas a bloqueios'', explicou o diretor clínico do Cisnop, o médico Edimar Gomes. Ele esclareceu que não estão sendo realizadas as consultas com especialistas, mas os serviços essenciais foram mantidos. ''As doenças com programas específicos do governo do Estado também continuam sendo atendidas'', acrescentou.
A lista dos itens não bloqueados inclui, entre outras patologias, Aids, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e tuberculose, além de exames como mamografia, colo do útero e radiografias do tórax para investigar pneumonia. ''O atendimento a doenças de risco continua'', afirmou.
Fátima de Lourdes Santos, de 50 anos, é uma das moradoras que enfrenta problemas por causa da dívida. Segundo o trabalhador rural Florisvaldo de Souza, marido de Fátima, ela precisa fazer um exame no Cisnop para detectar desnível de pressão arterial. ''Não conseguimos marcar porque a prefeitura não paga a dívida. Em laboratório particular, o exame custa R$ 180,00'', observou.
Outra reclamação de Santos é que o posto de saúde do município não oferta medicamentos de uso contínuo para pressão e coração, que seriam obrigatórios. ''Vivo de favor dos filhos e estou gastando R$ 70,00 por mês com remédios.''
O sorveteiro Paulo Donizete Teixeira, 48 anos, é outro morador de Nova América da Colina que tem dificuldades parecidas. Com disfunções cardíacas que incluem a utilização de um marcapassos, ele não consegue remédios no posto. ''Tenho pedido para os políticos'', contou.
No Cisnop, o sorveteiro tentou fazer dois exames, mas foi barrado por causa dívida. ''No laboratório, eles custam R$ 160,00 e R$ 500,00. Consegui negociar e o preço caiu pela metade. Mesmo assim, não tenho condições de pagar'', disse ele, que tem feito consultas particulares, em Cornélio, para dar continuidade ao tratamento. ''Conto com a ajuda da família'', revelou.
O prefeito de Nova América da Colina, Donizete Godoy, afirmou que parou de pagar o Cisnop há quatro meses porque quer renegociar a dívida. ''Eles têm que aceitar a negociação de acordo com a capacidade do município'', afirmou. Sobre a falta de medicamentos no posto, ele confirmou que a oferta de alguns itens é insuficente, mas garantiu que os medicamentos básicos estão disponíveis para a população. ''O problema de falta de remédios é nacional'', contemporizou, acrescentando que a prefeitura compra medicamentos e paga exames com verbas da ação social para as pessoas que o procuram.


