População fecha rua e constrói quebra-molas
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quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Moradores do Jardim Santa Fé (Zona Leste) se cansaram de ver crianças do bairro sendo atropeladas por motoristas imprudentes e resolveram agir por conta própria. No final da tarde da última segunda-feira eles se uniram para construir um quebra-molas em frente ao número 445 da Rua Limeiras, onde há cerca de duas semanas um garoto de 8 anos foi atingido por uma motocicleta. Foi a quarta vítima do trânsito na mesma rua.
Para a construção do obstáculo, cada morador colaborou com parte do material. Durante todo o dia de ontem os carros foram impedidos de passar pelo local, com obstáculos improvisados, como galhos de árvores e pedaços de madeira. A previsão era que só à noite a passagem dos veículos seria liberada. ''Não estamos fazendo isso para lançar um grito de guerra, mas para não ouvir mais os gritos de dor das nossas crianças machucadas e das mães delas'', informou Ana Maria dos Santos, que mora em frente ao local e presenciou o último atropelamento.
Ela conta que um pedido foi feito à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para a colocação do obstáculo, mas não houve resposta. Acompanhada de outros moradores, Ana Maria conta que a população já se organiza para construir mais dois quebra-molas. A próxima construção deve ser realizada amanhã, poucos metros abaixo do primeiro obstáculo.
''Aqui a gente é muito discriminado. Perto da escola, por exemplo, não tem sinalização nenhuma, nem quebra-molas, nada. Se a gente quiser, tem que fazer'', reclama a moradora, lembrando que principalmente nos finais de semana, os carros passam em alta velocidade pela rua.
Segundo a gerente de trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), Cristiane Biazzono Dutra, o Código de Trânsito Brasileiro proíbe a construção de novos quebra-molas nas cidades e prevê que os existentes sejam gradativamente substituídos por outras alternativas de engenharia de tráfego, como reforço na sinalização. Londrina já teve 900 obstáculos, que aos poucos estão sendo retirados. Hoje o número gira em torno de 800.
''Pessoas que antes pediam a colocação, hoje requisitam a sua retirada, porque perceberam que dependendo do tipo de via, os obstáculos podem causar rachaduras nas construções, provocadas pelo impacto e trepidação dos veículos mais pesados, como ônibus e caminhões'', explica a gerente. Cristiane observa ainda que só o poder público pode fazer intervenções nas vias públicas. ''A população pode, inclusive, ser responsabilizada. Um quebra-molas mal executado pode causar mais acidentes em vez de evitá-los.''


