Nas duas cidades próximas da Fazenda Sumatra, Planaltina do Paraná e Amaporã, separadas por pouco mais de 15 quilômetros, a maioria da população sabe quais são as pessoas que estão acampamento, mas ninguém quer falar sobre o assunto. Corretores de gado, comerciantes e até bóias-frias só não conhecem direito as famílias que vieram do Oeste. Quando o assunto são os políticos, o policial ou o juiz que aderiu ao movimento dos sem-terra, a maioria confirma, mas prefere não fazer comentário.
A mulher do vereador Laerte Vanutti, Marlene, disse à Folha que o marido estava ‘‘na roça’’, longe da cidade, e que ele também tinha saído do acampamento da Sumatra. ‘‘Por causa de problemas na Câmara’’, justificou. Ela garantiu que os irmãos Laerte e Luciano montaram uma barraca no acampamento, mas não para eles. Segundo Marlene, seria para um terceiro irmão, que cuida da mãe doente. O juiz de paz e o policial militar aposentado, também acusados de participarem do acampamento da Fazenda Sumatra, não foram localizados em Amaporã, onde moram.
O vice-prefeito, Ari Moraes Cruz, também não estava na cidade. Os parentes dele entraram em contradição sobre o assunto. A irmã de Cruz, Marlene, disse que ele ficou acampado na Sumatra mas desistiu e estava comprando boi em Querência do Norte, onde existem pelo menos 15 fazendas ocupadas pelos sem-terra. A mulher dele, Maria, já disse que Cruz nunca ficou acampado em nenhuma fazenda. Segundo ela, o marido trabalha com compra e venda de gado e estava em Querência do Norte a negócios. (M.Z.)

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