População está insegura, revela pesquisa
Lúcio Horta
De Londrina
Uma nova pesquisa de opinião divulgada ontem de manhã pelo comitê da campanha Londrina exige o fim da violência aponta que 92,5% da população acredita que a cidade é violenta. Além disso, 80,3% dos entrevistados disseram que a violência está aumentando em Londrina. A pesquisa foi feita entre os dias 13 e 14 de novembro pelo Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas Sócio-Econômicos (Inbrape), que consultou 402 pessoas de ambos os sexos nas cinco regiões da cidade.
Nós já constatávamos esse problema de forma empírica. Por isso surgiu a campanha. Mas com a pesquisa mostramos cientificamente qual é a real segurança de Londrina, afirmou ontem o presidente do Conselho de Segurança de Londrina, o advogado Newton Moratto. Esta foi a segunda pesquisa feita a pedido do comitê. No final de outubro, outra consulta popular, realizada pela Canadá Pesquisas, indicou que 81,7% dos londrinenses acreditavam que a violência na cidade estava aumentando.
Com o resultado da nova pesquisa em mãos, Moratto diz que continuará tentando agendar um encontro dos membros da campanha com o governador Jaime Lerner (PFL) para discutir a questão. O problema, ele aponta, é que a assessoria do governador alega que primeiro a discussão tem que ser feita com o secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira. Só que o secretário não comparece para discutir com a gente, reclama.
O presidente do Conselho lembrou do incidente ocorrido há duas semanas, quando diversas entidades que compõem a campanha contra a violência aguardavam a presença do secretário, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Mas na última hora ele acabou cancelando a viagem a Londrina. Além disso, o delegado-geral da Polícia Civil no Estado, Ricardo Noronha, que estava na cidade, só chegou ao local da reunião quando o encontro já havia sido encerrado.
Newton Moratto observou ainda que Ricardo Noronha declarou à imprensa local, quando esteve em Londrina, que prefere analisar a questão da violência a partir de dados concretos. Aqui estão nossos dados concretos, disse, apontando para a nova pesquisa de opinião. E são dois trabalhos já feitos que apontam na mesma direção.
O presidente do Conselho revelou que, depois do incidente com Noronha, entrou em contato com a chefia da Casa Civil, que sugeriu um encontro com o governador a portas fechadas. Disseram que nós queríamos show, e não encontro. Lembrei que o movimento é da sociedade e não podemos fechar para a sociedade. E todas as entidades da campanha acham que o encontro deve ser público. Não existe razão para esconder. Aí fica esse impasse.
Além de agendar encontro com o governador ou secretário de segurança, Moratto quer com a nova pesquisa intensificar o trabalho da campanha Londrina exige o fim da violência que tem peças publicitárias sendo veiculadas na tevê, emissoras de rádios e jornais da cidade, além da distribuição de 40 mil adesivos e agora um site na Internet (leia texto nesta página).
Você vê com a pesquisa que a necessidade da população é cada vez maior, observa o advogado. Ele dá como exemplo a falta de segurança na Prisão Provisória de Londrina, que no último final de semana teve nova rebelião. Na ocasião, os presos arrancaram quase todas as grades das celas. Já tínhamos alertado essa questão e falaram que nós estávamos exagerando. Então que show estão falando? Só se for show de cidadania.
Moratto também cobrou o prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), na reivindicação de melhorias para a área de segurança junto ao governo do Estado (leia texto nesta página). Uma das questões da pesquisa refletia este pensamento: para 90,8% dos entrevistados, a administração municipal deve exigir melhores condições para a segurança da cidade.Resultado da segunda consulta feita por comitê de campanha mostra que aumenta a preocupação com a falta de segurança em Londrina
Paulo WolfgangSEM EMPIRISMONewton Moratto: Com a pesquisa mostramos cientificamente qual é a real segurança de LondrinaA campanha Londrina exige o fim da violência continua no ar, com peças de rádio e TV, cartazes e adesivos





