População enfrenta problemas nos terminais
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quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Homens, mulheres, crianças, velhos, adolescentes, jovens. Estudantes, trabalhadores, donas-de-casa, desocupados. Os terminais urbanos de Londrina são pontos de passagem diária para milhares de pessoas, que quase sempre apressadas, já nem percebem as paredes sem pintura, a falta de segurança, as goteiras em dias de chuva, o empurra-empurra, o tempo perdido em filas, as contravenções cometidas sob o argumento de se ganhar a vida. Um olhar atento sobre estes locais, porém, mostra que os usuários de transporte coletivo enfrentam uma rotina, no mínimo, desconfortável.
''Os principais problemas são os banheiros e a falta de proteção nos dias de chuva e de frio'', diz a operária Gislene Vieira, que passa duas vezes por dia pelo Terminal Milton Gavetti, na Zona Norte. ''Dependendo da intensidade da chuva, a gente sai toda molhada'', conta. Gislene pega ônibus diariamente às 5h30 da manhã e no final da tarde. Ela também conhece de perto a rotina do Terminal Central, e relata que já caiu nas rampas de acesso e viu outras pessoas caírem, por causa de pisos ou revestimentos soltos.
No Milton Gavetti, assim como nos terminais Ouro Verde e Vivi Xavier, todos na Zona Norte, quem precisar usar os banheiros vai ter que se agachar em bacias turcas de aparência duvidosa. No terminal do Vivi, o odor desagradável pode repelir o usuário já na porta, apesar da presença de uma funcionária que garante realizar a limpeza do local ''várias vezes ao dia''.
A falta de espaço para tanta gente e de funcionários melhor treinados são as principais reclamações da técnica em enfermagem Fernanda de Fátima Homczinski, que diariamente pega ônibus no Terminal Central. ''De uns tempos para cá eu comecei a ver uns policiais aqui, mas ainda assim falta segurança. Além disso, falta uma praça de alimentação. Tiraram os boxes que vendiam alimentos (para instalação das escadas rolantes), mas continua cheio de vendedores ambulantes e gente vendendo comida na calçada, o que é pior'', observa.
A estudante Anelize de Souza também cita o problema da falta de segurança. ''Como moro em Cambé, passo por aqui tarde da noite, voltando da faculdade, e isso aqui é um deserto. São só os motoristas e cobradores'', diz.
Para quem não está acostumado à rotina do terminal, chama a atenção a naturalidade com que as pessoas se arriscam em frente aos ônibus em movimento, e a falta de paciência dos motoristas, que a todo tempo avançam o veículo sobre os pedestres. Do lado de fora, o comércio paralelo de cartões-transporte parece já não incomodar a maioria dos usuários, que são abordados poucos metros antes de chegarem à roleta de entrada. Como sempre, a venda informal oferece vantagens: o preço da passagem fica entre R$ 0,20 e R$ 0,25 mais barato.


