Sid Sauer‘Aqui não’A dona-de-casa Mariza Lúcia Oliveira Diniz e o marido mostram abaixo-assinado em frente ao novo cemitérioO ex-prefeito Fernando Barbosa Diniz (PTB) se mostra triste com o abandono do cemitério que ele inaugurou no final do ano. ‘‘Estava pronto para ser usado’’, diz. Diniz, no entanto, ‘‘deu azar’’. Depois que ele inaugurou a obra, em dezembro, ninguém morreu na cidade até o fim de seu mandato.
As primeiras mortes só aconteceram em janeiro, quando a nova administração já tinha descartado o uso do novo ‘‘campo santo’’. Com isso, quem morreu foi para Campina da Lagoa. Ou teve que encarar o ‘‘outro’’ cemitério.
Diniz nega que o cemitério que construiu possa contaminar minas de água existentes em propriedades rurais das proximidades. ‘‘Isso é história’’, frisa. ‘‘Tínhamos a autorização do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) para fazer a obra no local’’.
O terreno foi comprado com recursos próprios da prefeitura, que também teve que usar dinheiro de sua receita para construção das melhorias. ‘‘Gastamos cerca de R$ 8 mil’’, conta o ex-prefeito.
‘‘Agora, apagaram até o letreiro.’’ O cruzeiro foi destruído e a placa de inauguração desapareceu.
Em Altamira, o assunto é polêmico, mas poucos se arriscam a falar sobre ele públicamente. ‘‘Melhor deixar isso de lado’’, disse um morador ao ser questionado pela Folha.
Fúnebre Até os políticos se acanham ao falar do tema. Pelo menos os que são favoráveis ao cemitério não usado. Eles temem se ‘‘queimar’’ com os moradores mais próximos da obra e também não querem se indispor com o prefeito por causa de uma coisa tão fúnebre.
Só quem é contra fala abertamente. O vereador João Borges de Godoy (PSDB), por exemplo, que é amigo de Diniz, opositor de Vecchi, não poupa críticas ao cemitério feito pelo ex-prefeito. ‘‘Sempre fui contra’’, conta. ‘‘Prejudica todos os moradores das proximidades’’.

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