Agora, depende de cada cidadão. Está aberta a temporada de participação popular no planejamento da cidade. Uma audiência pública vai reunir, nesta segunda-feira, representantes de diversos setores da comunidade para discutir sobre a elaboração do Plano Diretor de Londrina. Na prática, serão montados grupos de trabalho para debater e apontar soluções para problemas do dia-a-dia dos londrinenses. É o início da etapa mais importante do trabalho, que deve dar um novo caráter ao plano.
O encontro terá participação do prefeito Nedson Micheleti (PT) e de integrantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), responsável pela coordenação dos trabalhos. De acordo com o presidente do órgão, Luiz Figueira de Mello, o atual documento, aprovado em 1998, é um plano de uso e ocupação do solo. O novo terá características mais abrangentes e pretende ser uma ferramenta de desenvolvimento sócio-econômico e de inclusão social.
Para o prefeito Nedson, o debate do Plano Diretor será um momento muito especial para a cidade nos próximos meses. ''Londrina está vivendo um novo ciclo de desenvolvimento. Nosso desafio é planejar o crescimento de modo abrangente e democrático. Esta é a meta da revisão do Plano Diretor: planejar a Londrina do Futuro de maneira participativa.''
Um exemplo de efeito prático do planejamento na rotina dos habitantes locais é o sistema de transportes. Existem estudos para a construção de 69 quilômetros de ciclovias integradas em todas as regiões da cidade. A meta foi fixada após estudos que identificaram aumento no número de pessoas que vão trabalhar de bicicleta ou a pé.
''Este é um momento ímpar de formação do cidadão, que deve participar da construção do futuro da cidade'', sintetizou Melo. A organização do trabalho será dividida em três núcleos: participativo, técnico e gestor. O núcleo participativo será integrado por representantes de diversos setores da sociedade civil, como associações de moradores, sindicatos patronais e de trabalhadores, entidades de classes e organizações não-governamentais. O grupo técnico será formado por agentes públicos que têm ligação direta com os assuntos estudos. O último é o grupo gestor, formado pelo prefeito e membros do Ippul e da Câmara Municipal. Os grupos de trabalho serão temáticos. Podem abranger temas desde saúde e educação até planejamento urbano.
A organização de planos de ação de médio e longo prazo podem facilitar a busca por recursos. ''O planejamento possibilita a obtenção de recursos junto a organismos estrangeiros e nacionais. Londrina precisa ter um norte sério para o desenvolvimento'', enfatizou o diretor de planejamento urbano do Ippul, Gilson Jacob Bergoc. Os especialistas também destacaram a importância do planejamento regional, englobando cidades vizinhas, que contabilizam população de 4,5 milhões de habitantes.
O Estatuto das Cidades, aprovado em 2001, exige que as cidades elaborem um plano diretor num prazo de cinco anos. A conclusão em Londrina está prevista para junho do ano que vem. Antes disso, outras duas audiências públicas e uma grande conferência municipal, prevista para fevereiro, serão promovidas.
''A cidade tem que procurar construir um acordo entre os vários agentes, passando pelos três poderes, para que todos corram para um mesmo lado. O plano diretor é uma visão de Estado no planejamento da cidade'', resume Bergoc.

Serviço:
Audiência pública para discussão sobre o Plano Diretor de Londrina. Segunda-feira, 19h30, no plenário da Câmara Municipal

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