A violência no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste de Londrina) fez com que moradores e comerciantes se mobilizassem para exigir mais segurança no bairro. Uma reunião na manhã de ontem contou com representantes da Sociedade Amigos do Bairro Bandeirantes, Industrial e Circunvizinhos (Sabbi), que abrange sete bairros, comerciantes e Polícia Militar (PM).
Durante a reunião, moradores e comerciantes expuseram o medo e a insegurança dos últimos meses, quando afirmam que o número de assaltos aumentou. De acordo com o presidente da Sabbi, Antônio Januário Brazão, a população com cerca 40 mil habitantes está assustada. ''Os assaltos acontecem a toda hora, na frente das pessoas. Os marginais não se intimidam e nem a presença da polícia que faz a ronda no bairro impede a ação dos assaltantes''.
No último sábado, por volta das 22 horas, quando parte da comunidade que frequenta a igreja do bairro encerrou uma reunião, dois rapazes armados renderam um morador e levaram o carro dele, que estava na rua. ''A esposa do dono do carro teve que sair. Eles fizeram isso na frente de muitas pessoas, sem medo de represália'', afirma Brazão.
No dia seguinte, os ladrões ligaram para o proprietário do veículo e exigiram R$ 10 mil para devolvê-lo. Segundo Brazão, os assaltantes aceitaram R$ 4,5 mil, que foi pago pelo proprietário. O carro foi abandonado no estacionamento de um supermercado no bairro vizinho, conforme o combinado. ''São atitudes deseseperadas das vítimas, que precisam recuperar o bem roubado.''
Outros casos relatados são de comerciantes que tiveram os estabelecimentos invadidos até durante o dia. O proprietário de um Lava Rápido, na Vila Industrial, Genésio Fernandes, já foi assaltado três vezes. Em uma delas levaram R$ 800 em dinheiro, máquinas e equipamentos do local. ''É molecada, que entra sem medo e leva tudo'', reclama o proprietário, que já calcula um prejuizo de quase R$ 2 mil. A providência foi colocar um cão para vigiar o estabelecimento.
O proprietário de uma padaria no Jardim Bandeirantes, Carlos Roberto Bastos Pereira, também já foi agredido durante um dos seis assaltos no estabelecimento. Na última vez há dois meses, por volta das 21 horas, ele estava fechando o local quando foi abordado por três rapazes armados e que chegaram em bicicletas. Eles roubaram dinheiro, documentos e deram uma coronhada na cabeça dele, alegando que havia pouco dinheiro. ''Fiquei apavorado. Quando a gente vê um grupinho de bicicleta, com roupas mais pesadas, já acha suspeito.''
O porta-voz do 5º Batalhão da PM, tenente Ricardo Eguedis, que participou da reunião afirmou que o bairro não é tão violento. Ele afirma inda que o trabalho ostensivo da polícia é feito, inclusive com o Projeto Povo (que mantém um policial no bairro), rondas com viaturas e motos e atuação da Rone. Ele prometeu maior cobertura policial na região e uma nova viatura para o policiamento no bairro, que deve chegar até o final do mês.
''Precisamos contar com a ajuda da comunidade, que tem que denunciar os abusos''. No caso das negociações com os bandidos para devolver produtos roubados, o tenente fez críticas. ''Desta forma eles estão alimentando o crime organizado. Precisamos trabalhar em conjunto com a comunidade que tem que denunciar e contar com a ajuda da polícia''.

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