A população de Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, teme que a iniciativa do prefeito Élcio Berti (PTB) - distribuir o medicamento Viagra, contra impotência sexual, como protesto contra a diminuição do repasse de verbas ao município - crie a imagem de que os homens da cidade tenham problemas de desempenho sexual. Na manhã de ontem, muitos dos 10 mil moradores se mostravam irritados com a medida, alegando que mais uma vez vão sentir vergonha de dizer que moram na cidade. ‘‘Alguns já estão perdendo a cabeça e ameaçam pedir explicações ao prefeito’’, disse um comerciante que não quis se identificar.
Berti confirma sua disposição em distribuir o Viagra. Essa é a segunda vez que ele consegue espaço na mídia para mostrar sua indignação contra a diminuição do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A primeira foi em novembro de 1997, quando anunciou um decreto que proibia a venda de camisinhas, pílulas e qualquer outro método anticoncepcional. ‘‘Na época a medida foi considerada inconstitucional e Bocaiúva do Sul acabou conhecida nacionalmente como ‘Cidade do Amor’, enquanto a nossa masculinidade virou piada’’, reclama um morador que não quis se identificar.
O músico Manoel Estaubi, amigo de infância de Berti, acha que dessa vez o prefeito foi longe demais. ‘‘A popularidade dele caiu muito depois da última bomba, no ano passado, e acho que agora ele vai ter problemas de novo’’, previu.
O farmacêutico Florismundo Alberti foi um dos poucos que considerou válida a iniciativa do prefeito, mesmo sem acreditar que ele cumpra a promessa de distribuir mil caixas de comprimidos. ‘‘Se é para atrair verbas, concordo, mas como o remédio é caro (cerca de R$ 55 a caixa), acho difícil que ele gaste 55 mil reais enquanto a população precisa de outras coisas’’.
Berti justifica sua ação polêmica com números. Ele afirma que 70% da receita da cidade depende exclusivamente do FPM e que no último dia 9 ele recebeu a informação de que os recursos seriam reduzidos em 33%. ‘‘Como da outra vez, com a proibição às camisinhas, eu consegui evitar que a redução do FPM fosse cogitada, resolvi proceder da mesma forma para garantir o funcionamento da prefeitura’’, explicou. Segundo ele, a administração municipal tem dinheiro apenas para pagar salários dos 260 funcionários.
Berti promete nova bomba se o asfaltamento da estrada que liga Bocaiúva de Sul a Adrianópolis não acontecer até agosto. ‘‘Se nada acontecer solto nova bomba, pois prefiro morrer herói a ser um covarde’’.

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