Edson MazzettoTragédiaGol
dirigido
por Janete
Gaspar,
mulher do
prefeito de
Lindoeste,
destroçado
em acidente
perto de
Cascavel,
anteontemCentenas de moradores de Lindoeste (50 km ao sul de Cascavel) acompanharam no final da tarde de ontem o enterro de quatro pessoas, entre elas dois filhos do prefeito Almir Gaspar (PDT), mortas em acidente na BR-277. Almir Gaspar autorizou a retirada das córneas dos filhos Cristian, 9 anos, e Carline, 12, para transplante.
O acidente aconteceu na noite de anteontem, próximo a Cascavel. O Gol dirigido por Janete Gaspar, 28 anos, esposa do prefeito, chocou-se com uma carreta. Além de Cristian e Caroline, morreram Solange Schmidt, 23, secretária de Janete na área social, e uma amiga, Patrícia Jordan, 16 anos. Janete Gaspar sofreu ferimentos generalizados, mas está fora de perigo.
Na noite do acidente, Lindoeste também seria destaque no programa ‘‘Ratinho Livre’’, da Rede Record. O caso conhecido como ‘‘caixãogate’’, o pagamento de caixões e funerais pela prefeitura em número duas vezes superior ao de falecimentos e sepultamentos realizados na cidade, seria destaque no programa. Participariam quatro vereadores que investigaram as denúncias de supostas irregularidades em pagamentos feitos pelo ex-prefeito Geraldo Lacerda (PDT) à uma funerária local. Com o acidente, a Record decidiu exibir o programa na noite seguinte.
Além dos pagamentos que teriam sido irregulares, o caso envolve pessoas vivas relacionadas como sepultadas, segundo uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) instituída pela Câmara de Vereadores. As investigações envolveram a única funerária da cidade, de propriedade de Gonçalves da Fonseca e administrada por Sebastião de Souza.
Também foram investigadas as ligações, no caso, entre o ex-prefeito Geraldo Pereira Lacerda e sua irmã e então secretária de Finanças, Cila Pereira, que é sobrinha de Gonçalves e esposa de Sebastião. Segundo os membros da CEI, entre 94 e 96 a prefeitura pagou por 143 funerais, mas a Secretaria de Saúde informou que oficialmente foram registrados apenas 78 óbitos no município. Os negócios entre a funerária e o Município teriam chegado a R$ 100 mil. Judicialmente, ainda não há responsabilização formal aos envolvidos no ‘‘caixãogate’’.

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