População divide opiniões sobre os dois palhaços
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de abril de 1997
Da Sucursal 
O comerciante Waldomiro Cardoso, que trabalha há oito anos numa das bancas da Boca Maldita, assume ser um dos que torcem pela expulsão dos sombras do local. Eles não têm respeito, constrangem idosos e deficientes físicos, abraçam as mulheres e causam tumulto, atrapalhando nossas vendas, afirmou.
Mas enquanto alguns se incomodam, outros apreciam e apoiam o trabalho público dos artistas, como o estudante Leandro Comparin, 18 anos. Venho até aqui todos os dias, só para assistir aos espetáculos. Leandro estuda no Colégio Estadual, trabalha no bairro Batel e, no intervalo entre as duas atividades, aprecia o trabalho dos sombras.
Os comerciantes não gostam de nós porque não gostam das artes, denunciou o pioneiro das atividades em Curitiba, Alcebíades Alberto Julione, 37 anos, conhecido como palhaço Cachimbão. Ele é casado, tem dois filhos e uma neta e confessa ganhar no mínimo R$ 2 mil mensais pelo o que arrecada na rua e seus cachês em shows. Sou palhaço de circo desde que nasci, mas aqui na rua ganho mais e divulgo melhor o meu trabalho. Ele criou os sombras há cinco anos, quando apenas os mímicos, com rostos pintados de branco, trabalhavam na Rua das Flores.


