Estresse, fumo, consumo de drogas e álcool, somados a doenças degenerativas como como diabetes e hipertensão arterial, estão entre os principais fatores que podem provocar disfunções na vida sexual. A informação é do cirurgião vascular Márcio Dantas de Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual e um dos coordenadores da 1ª Jornada Paranaense de Sexualidade, evento que começou na sexta-feira e terminou ontem em Londrina. A jornada reuniu estudantes, médicos e profissionais ligados à áreas da medicina e saúde, na Universidade do Norte do Paraná (Unopar).
‘‘A sexualidade deve fazer parte da qualidade de vida das pessoas’’, disse Menezes. Segundo ele, a vida sexual ativa é hoje a quarta condição de sobrevida humana. A primeira é o alimento, a segunda o sono e a terceira a higiene.
De acordo com o cirurgião, as disfunções podem começar a partir dos 40 anos, quando as taxas hormonais declinam, mas as pessoas demoram a procurar ajuda. ‘‘As pessoas precisam tratar da sexualidade assim como cuidam do coração, dos rins.’’ A reposição hormonal pode reduzir os problemas e é indicada para homens e mulheres, sempre com orientação médica.
Outro alerta do médico é que a atividade sexual deve ser um prazer em todas as idades. Segundo Menezes, hoje, aos 70 anos, 70% dos homens já estão impotentes e a mulher, 41% das que tiveram vida sexual ativa (dos 15 aos 50 anos), não têm mais orgasmo. ‘‘É preciso mudar o conceito de que os mais velhos não têm vida sexual’’, afirmou Menezes.
Assim como no homem, a insatisfação feminina, disse Menezes, também pode estar ligada a fatores estéticos, que podem ser corrigidos, e ao desconhecimento do seu próprio corpo. Pesquisa citada pelo cirurgião indica que apenas 30% das mulheres procuram ajuda médica para solucionar a insatisfação. ‘‘Nos países desenvolvidos, das mulheres que chegam à menopausa 20% não têm orgasmo e 60% apresentam orgasmo somente com manipulação, sexo oral ou vibradores e não com o ato sexual.’’ Uma mulher insatisfeita, continuou Menezes, provoca também a insatisfação do seu parceiro e crise no relacionamento.’’
O psicólogo William Peres, da Unesp de Assis (SP), acredita que a disfunção sexual provoca um sentimento de vergonha entre as pessoas que demoram a procurar ajuda. ‘‘Há uma inibição por parte da mulher e no homem isso fica mais sério porque mexe com um sentimento de falta de masculinidade.’’ Peres acredita que é importante que as pessoas sejam bem orientadas a lidar com sua sexualidade desde muito cedo. ‘‘É importante conhecer o corpo e saber liberar sentimentos.’’
Serviço: A Sociedade Brasileira de Medicina Sexual mantém um fórum on line de discussões e informações. O endereço é: www.universosexual.com.br. Outras informações também podem ser conseguidas no telefone do Centro de Estudo de Tratamento da Sexualidade: 0800-400-7600.

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