População desaprova a cobrança
A partir do próximo ano, a Sanepar passará a explorar os serviços de água e esgoto em São Martinho. O prefeito Eurides Moura (PMDB) disse ontem à Folha que o projeto de lei autorizando a concessão já foi encaminhado à Câmara Municipal. A prefeitura estaria ainda viabilizando algumas questões legais com o fazendeiro e dono da reserva onde estão as minas que abastecem o distrito para assinar o contrato. ''Isso é uma questão de tempo. Espero que tudo esteja resolvido antes do final do ano'', afirmou.
Só que a notícia não repercutiu muito bem no ditrito. Acostumados a usar água de graça, boa parte da população desaprova a decisão do prefeito de cobrar pelo fornecimento. O principal argumento popular é o fato do reservatório estar inserido em uma propriedade particular. ''Isso não está certo, o dono da fazenda não cobra água de ninguém. Por que a prefeitura está agora querendo cobrar'', protestou a dona de casa Maria Evilauza Romanin, moradora do Conjunto Etore Martini, que aguarda para os próximos dias a instação do hidrômetro em casa.
O prefeito considera sua atitude uma questão de justiça social. Para ele, como o distrito faz parte do município de Rolândia, não seria certo somente quem mora em São Martinho gozar do benefício. ''Isso é uma questão de isonomia, por que o cidadão de Rolândia paga pela água e o de São Martinho não?''. Um outro distrito, o de Bartida, com cerca de 1 mil habitantes, também isento, será incluido no contrato de concessão. Moura colocou esse plano em prática em sua primeira administração, de 1983 a 1988.
Como a população de São Martinho ainda usa fóssas sépticas para eliminação de resíduos, a prefeitura pretende, assim que assinar o contrato, negociar com a Sanepar a implantação do sistema de esgoto no distrito. ''Hoje não temos condições de implantar isso por conta própria. Essa foi uma das principais razões pelas quais decidimos conceder o serviço à Sanepar'', justificou. (G.G)





