As cerca de 800 famílias que moram no Assentamento São Jorge, na zona norte de Londrina, estão há cinco dias sem o seu principal meio de comunicação com outras localidades: os dois telefones públicos existentes na localidade, que sofreram a ação de vândalos e foram danificados.
Desde a madrugada de sexta-feira, os orelhões estão totalmente mudos, com os fios estourados e aparelhos em situação irrecuperável. Segundo testemunhas, o ato de vandalismo aconteceu depois de uma briga em frente a um bar, onde está instalado um dos aparelhos telefônicos.
Nos últimos dias, os moradores do assentamento têm recorrido a um orelhão localizado no Conjunto Habitacional Chefe Newton, a aproximadamente 1,5 quilômetro de distância. ‘‘Isso se a gente for a pé, pelo meio do pasto’’, diz a líder comunitária Regina Leonel.
Ela conta que os telefones foram uma das primeiras benfeitorias recebidas na região e foi a primeira vez que vândalos os destruiram. ‘‘Estamos totalmente isolados e passando apertos por não termos como nos comunicar’’, afirma Regina. A líder comunitária que diz ter certeza de que não foram pessoas do assentamento que fizeram a destruição.
Ontem, a empregada doméstica Solange Gonçalves de Melo foi duas vezes até o bairro vizinho telefonar. ‘‘Precisava falar com minha mãe e ver se conseguia um serviço. Está um sufoco.’’
A dona-de-casa Maria da Silva Paiva estava inconformada: ‘‘Nós já não temos nada aqui, nem linhas telefônicas para instalarmos aparelhos nas casas, e ainda fazem isso. É um absurdo.’’
Ela conta que tem três filhas que moram no centro da cidade e nos últimos dias perdeu o contato com elas por falta do meio mais acessível que dispunha para conversar com as filha.
Outra moradora, Cleusa Jacinto de Moraes, lembra que os dois orelhões são ponto de referência para ambulâncias, mototáxis e polícia, principalmente. ‘‘Agora não temos nem isso.’’
E o pior, segundo as muitas pessoas inconformadas com esta situação, é quando surgem as emergências. Anteontem, uma mulher passou mal e os moradores não tiveram como chamar uma ambulância.
O catador de papel Elenter de Almeida Pereira viveu situação parecida naquele mesmo dia. ‘‘Meu irmão estava com febre e muita dor de cabeça. Eu tive que pegar a bicicleta, à noite, e ir até o orelhão do outro bairro para telefonar.’’
A danificação dos telefones está trazendo outro prejuízo sério para o catador de papel. Ele afirma que está esperando receber um dinheiro, mas a pessoa não consegue telefonar pelo número que forneceu.

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