Londrina – O atendimento à população de rua deixou de ser responsabilidade exclusiva da Secretaria de Assistência Social em Londrina. O município terá um Comitê Intersetorial, formado por vários órgãos e pela sociedade civil, como prevê o decreto de Política Municipal para a População em Situação de Rua, assinado ontem pelo Executivo.
A secretária de Assistência Social, Télcia Lamônica, explicou que nos próximos dias a equipe vai elaborar um plano de ação para envolver várias secretarias municipais (Trabalho, Educação, Defesa Social, entre outros), Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Ministério Público, Centro de Direitos Humanos, instituições de acolhimento e movimentos pastorais.
"Vamos trabalhar neste grande plano de ação para ampliar os serviços e garantir mais dignidade aos moradores de rua. No primeiro semestre do próximo ano já será possível notar melhorias", prevê. Segundo ela, a institucionalização do atendimento vai garantir o comprometimento e união dos esforços. Segundo Télcia, o maior benefício é a continuidade dos trabalhos. "É uma garantia que a alternância de governo não implicará em um retrocesso para esta política pública".
A secretaria garantiu que o projeto de construção de uma sede para o Centro POP, que faz o atendimento aos moradores de rua, será prioridade. "Se tudo der certo, até o final do ano pretendemos assinar uma ordem de serviço de uma unidade modelo no país", adiantou.
O comitê será responsável por colocar em prática as ações da Política Municipal, como elaborar as metas, objetivos, responsabilidades e orçamentos para as áreas de políticas públicas desenvolvidas; intervir para assegurar o acesso aos serviços, programas, projetos e benefícios que integram as políticas públicas, entre outros.
Milton Santana Filho, coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, comemorou a assinatura do documento. "É uma avanço significativo. Nossas cobranças eram sempre destinadas apenas à Assistência Social. A partir de hoje, todos têm esse compromisso com a população de rua", frisou.
Santana lembrou os 10 anos que passou nas ruas. "Só quem já morou na rua sabe dos problemas que enfrentamos. Hoje, começamos a ser reconhecidos como cidadãos, mas ainda falta muita coisa", cobrou, ao reivindicar a ampliação do horário de atendimento do consultório de rua.
O prefeito Alexandre Kireeff admitiu que os serviços de atendimentos de saúde, não só aos moradores de saúde, precisam de melhorias. Ao responder o agradecimento de um ex-morador de rua que ganhou uma casa, Kireeff criticou gestões populistas. "Não precisa agradecer ao prefeito, não fui eu que te deu a casa. A população tem que ter a consciência que os benefícios são frutos de um programa institucionalizado."

CIDADANIA
A coordenadora da APP Vida, Fátima Reale Prado, também destacou o momento, esperado há varias décadas. "É mais uma garantia que temos para minimizar esta invisibilidade social e promover a cidadania de forma efetiva." O promotor de Justiça dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, acredita que os serviços vão ser otimizados com a união de esforços. "É um dever de todos contribuir para amenizar a desigualdade social."

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