Munidos de pranchetas e binóculos, um grupo de alunos do terceiro ano do curso de biologia da Unifil acordou cedo, ontem, para cumprir uma árdua missão: orientados pelo biólogo Edson Varga Lopes, eles começaram a fazer a contagem da população de pombos que habitam o centro de Londrina. Os dados levantados vão orientar a Autarquia do Meio Ambiente (AMA) a adotar o manejo mais adequado para evitar a proliferação dos animais. Além de contar os pombos, o grupo analisará os locais de concentração de fezes para identificar dormitórios. Nesses locais será feita, posteriormente, a contagem noturna.
A previsão é que a pesquisa termine em março de 2005, com trabalhos de campo em domingos e feriados. A contagem começa sempre meia hora após o sol nascer (por volta das 6h30) e pode durar até quatro horas diárias. Segundo Edson, que faz mestrado sobre o assunto e orientará o levantamento voluntariamente, é pela manhã que os pombos concentram maior atividade. Os fins de semana foram escolhidos para evitar o trânsito dos outros dias. As cinco equipes de quatro pessoas percorrerão todo o anel central.
O primeiro dia de pesquisa, realizado na Rua Goiás (entre as avenidas Juscelino Kubitschek e Santos Dumont), revelou que 220 pombos habitam esta via pública. ''Não é pouco'', comentou Lopes. Segundo ele, os animais encontrados em Londrina são de duas espécies: Columba livia (doméstica, utilizada antigamente como pombo-correio) e Zenaida auriculata (nativa da região, conhecida como ''margozinha'').
A médica veterinária Anne Christina Hiltel, assessora de gabinete da AMA e responsável pelo projeto, informou que a presença excessiva dos pombos preocupa o órgão porque eles causam problemas respiratórios e até neurológicos, além da contaminação por piolhos. ''O veículo de transmissão das doenças é o pó das fezes'', explicou.
Após conhecer a quantidade de animais, a AMA deve adotar mecanismos para controlar o aumento dessa população. Uma das idéias é adotar um modelo que já é bem sucedido na cidade alemã de Coburg. ''Entramos em contato com a prefeitura de lá (Coburg), que nos madou um bom material'', contou.
No município, foi construído um pombal para onde as aves são atraídas com alimentação. Lá, ovos verdadeiros são substituídos por ovos artificiais, inibindo o aumento da incidência dos pombos. ''Se os ovos forem apenas destruídos, eles põem mais para garantir a sobrevivência da espécie'', explicou Anne.
De acordo com a assessora, os pombos domésticos, que costumam ficar em casas e edifícios, devem aceitar melhor a permanência no pombal. ''Essas aves costumam causar mais doenças'', disse. Já os silvestres, que passam o dia no campo, podem apresentar resistência. Essa espécie costuma pernoitar em árvores e é a principal responsável pela produção das fezes que sujam as calçadas. Sua proliferação excessiva nas cidades está associada ao desmatamento das florestas e à falta de predadores. ''Temos que aprender a conviver com o desequilíbrio causado por nós mesmos'', sentenciou.

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