População de municípios vizinhos busca vacinas em Londrina
Imunização de crianças está comprometida em várias cidades, fazendo com que os pais recorram às unidades de saúde londrinenses
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Imunização de crianças está comprometida em várias cidades, fazendo com que os pais recorram às unidades de saúde londrinenses
Simoni Saris - Grupo Folha 

O desabastecimento no estoque de algumas vacinas indicadas para crianças menores de cinco anos em municípios da Região Metropolitana de Londrina faz com que os moradores recorram a Londrina. Essa situação tem provocado uma sobrecarga nas unidades básicas de saúde localizadas próximas aos limites de Cambé e Ibiporã. A Sesa (Secretaria de Saúde do Estado do Paraná), que recebe os lotes do governo federal e distribui às regionais de saúde, não informou o número de cidades que enfrentam esse problemas, mas afirmou que o desabastecimento atinge todo o Estado. Ainda de acordo com a Sesa, há três meses o governo federal tem enviado uma quantidade de vacinas menor do que o necessário.
A diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Sônia Fernandes, confirmou o contingenciamento nas unidades de saúde. A BCG só está disponível na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai e todos os bebês nascidos na cidade, em hospitais públicos ou privados, são encaminhados para a instituição, onde a imunização contra a tuberculose acontece às segundas, quartas e sextas-feiras.
A pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e influenza B) ainda está disponível, em pequena quantidade, mas as doses recebidas neste mês serão suficientes apenas até outubro. “A população dos municípios vizinhos onde não tem a vacina está vindo para Londrina e como as doses são compradas pelo governo federal, não podemos negar”, destacou Fernandes.
Apesar de não ter recebido a tetra viral (que previne o sarampo, rubéola, caxumba e catapora), as unidades básicas de saúde do município ainda têm uma pequena quantidade da vacina em estoque e estão atendendo a demanda. A poliomielite oral teve o número de doses enviadas reduzidas desde o ano passado e a imunização tem sido feito uma vez por mês nos postos de saúde. “Recebo um frasco com 25 doses por unidade e, depois de aberto, a validade é de cinco dias. Então, abrimos a vacina uma vez por mês”, explicou a diretora.
SOBRECARGA
Segundo Fernandes, o desabastecimento nos municípios vizinhos tem provocado uma sobrecarga nas unidades básicas de saúde localizadas próximas aos limites de Cambé e Ibiporã. A UBS da Warta (distrito na zona norte) tem atendido moradores de Bela Vista do Paraíso e a população de Rolândia também busca atendimento em Londrina. “Com exceção da pentavalente e da tetra valente, que o estoque vai zerar, as outras a gente está recebendo em uma quantidade muito menor do que o necessário. Como o frasco é multidose, criamos um esquema para aproveitar melhor a quantidade de vacina em cada frasco. Já faz tempo que o agendamento tem sido feito.”
AGENDAMENTO
Em Ibiporã, a Vigilância Epidemiológica informou que recebeu quantitativo reduzido das vacinas tetra viral, pentavalente, BCG e da vacina oral contra poliomielite. Segundo a coordenadora de Vigilância Epidemiológica do município, Vanessa Luquini, a vacina oral está com o estoque reduzido há mais de um ano. “Não podemos mais abrir a vacinação todas as semanas, como fazíamos. Trabalhamos com agendamento.” Esse agendamento também está sendo feito para a vacina BCG. Para suprir a falta da tetra viral, as equipes de saúde têm feito a substituição pela tríplice viral associada à vacina contra varicela, sem nenhum prejuízo às crianças. A situação mais preocupante é em relação à pentavalente, cujo estoque está esgotado.
EXPECTATIVA
Segundo a coordenadora da Divisão de Vigilância do Programa de Imunização da Sesa, Vera Rita da Maia, há três meses o governo federal tem enviado aos Estados uma quantidade de vacinas menor do que o necessário. A BCG começou a faltar em maio e a pentavalente, em julho, após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinar o recolhimento de todo um lote da vacina por questões de segurança de qualidade.
A orientação é para que os municípios otimizem as doses com o agendamento. “As crianças que não receberam a dose no dia em que foram às unidades básicas de saúde devem ter seus nomes e os nomes das mães registrados para que retornem e recebam as doses que ficaram proteladas. Se a criança não retornar, a orientação às equipes de saúde é fazer a busca ativa. Não é um problema do Paraná, é um problema nacional”, frisou. A expectativa, afirmou a coordenadora, é que a situação comece a ser normalizada após o dia 15 de setembro.
Maia informou que a vacina oral contra a poliomielite teve atraso na distribuição aos municípios por um problema técnico do Estado, mas que o envio começou a ser feito na semana passada.


