População de idosos é maior em Londrina
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quarta-feira, 04 de dezembro de 2002
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Londrina está envelhecendo mais rápido que outras cidades brasileiras. No censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, a cidade contabilizou 41.780 pessoas com mais de 60 anos de idade, ou seja 9,34% da população, contra 8,6% da média nacional. Essa é uma das conclusões apontadas pelo clínico-geral e sanitarista Gilberto Berguio Martin, 44 anos, na tese de mestrado: ''As repercussões do envelhecimento populacional na morbimortabilidade e no sistema de saúde em Londrina'', defendida em outubro passado.
Segundo ele, a velocidade com que a expectativa de vida no Brasil aumentou nos últimos 30 anos não foi acompanhada pela melhoria nas condições sócio-econômicos da população. ''Isso significa que temos uma bomba relógio na mão. De um lado estão os jovens com dificuldade de acesso à educação, moradia, emprego e saneamento básico e de outro um contingente cada vez maior de idosos. Se não fizermos nada, a vida da terceira idade tende a piorar'', afirmou.
Entre 1900 e 1960, a população de idosos cresceu 497% no Brasil. A partir daí, a previsão é que esse contingente aumente 917% até 2025, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). O lado positivo dessa projeção é a dilatação na expectativa de vida e o negativo é a incerteza em relação à qualidade de vida que essas pessoas terão no futuro. A Previdência Social e o sistema de Saúde serão os setores mais prejudicados.
Para Martin, a justificativa da velhice prolongada em Países em desenvolvimento é o aumento da oferta nos serviços de saúde e informação. Em Londrina, os idosos respondem por 20,18% das internações hospitalares e consomem 29,06% do orçamento destinado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A maior contribuinte dessa estatística é a pneumonia, responsável por 10,85% das internações na terceira idade. Em seguida, vem a insuficiência cardíaca (7,25%); as doenças esquemicas do coração, entre elas o infarto agudo do miocárdio, (5,52%); os derrames(3,79%) e a hipertensão (3,68%). ''Se o governo investisse mais em programas de prevenção às doenças cardíacas, com certeza, economizaria muito com os idosos''.
Alheia às mazelas da terceira idade, Ozana de Oliveira Arruda, 76 anos, esbanja disposição e bom humor. Viúva há 22 anos, mãe de quatro filhos e avó de quatro crianças, ela trabalha das 7 às 19 horas em seu salão de beleza e cuida sozinha dos afazeres domésticos. ''Não penso em tristeza e nem sofro por antecipação. Agradeço a Deus tudo o que tenho e mantenho a cabeça sempre ocupada'', afirma a cabeleireira que ainda arruma tempo para aulas de natação e ensaio no coral. ''A família é a minha motivação para viver'', confessa.
Sem saber, Dona Ozana se encaixa perfeitamente no modelo de envelhecimento saudável prescrito por Martin: atividade física, integração social e produtividade é a melhor receita para quem quer manter corpo e mente sã.
A qualidade de vida na terceira idade será debatida no IX Simpósio Paranaense de Cardiogeriatria e I Encontro Paranaense de Gerontologia que acontecem simultaneamente nos dias 6 e 7, em Londrina.


