Fernanda Borges

Equipe da Folha

Bandeirantes - A violência cometida contra uma estudante de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio), estuprada na madrugada da última sexta-feira, foi a gota d’água para os universitários e moradores. Milhares de pessoas participaram de uma passeata pelas principais ruas e que durou mais de duas horas. Munidos de apitos e vestidos com roupas pretas, os estudantes foram acompanhados por uma grande quantidade de veículos e motocicletas que apoiaram a manifestação. Enquanto passavam pelas ruas, os comerciantes iam fechando as portas dos estabelecimentos como forma de apoio ao movimento.
O professor de Agronomia, Marco Antonio Gandolfo, disse que a insegurança é constante. "São comuns casos de roubos, furtos, espancamentos e os alvos acabam sendo os estudantes que passam muito tempo fora de suas casas. Queremos mais respeito ao direito do cidadão de morar com dignidade e sossego", comentou. O pai da jovem violentada disse que a estudante ainda não sabe se vai continuar o curso. "Vou pedir à faculdade alguns dias de afastamento para ela pensar, mas se ela resolver ficar aqui, terei que arrumar um lugar mais seguro para morar", comentou.
Todas as escolas municipais foram liberadas para participar do ato, totalizando cerca de 250 crianças. A manifestação também se concentrou em frente à prefeitura e terminou em frente à Delegacia da Polícia Civil, que permaneceu o tempo todo com os portões fechados. Depois que os manifestantes foram embora, o delegado Alessandro Roberto Luz atendeu a imprensa. Segundo ele, as informações que correm na cidade de que haveria diversos casos de estupro não procedem. "Tivemos apenas dois casos com esse da semana passada. O outro foi no ano passado, quando a família não quis dar continuidade ao caso. O suspeito continua preso e permanecerá até o término do inquérito. O que acontece em Bandeirantes são muitos casos de furtos e pessoas que são molestadas, mas que legalmente está longe de ser considerado um estupro", disse.
De acordo com ele a cidade não registrou nem 10 homicídios neste ano e garante que a Polícia Civil está atendendo as necessidades da cidade. "Podemos dizer que estamos atuando de forma intensa, até porque na mesma manhã do caso prendemos um suspeito." Bandeirantes tem 35 mil habitantes e duas universidades, que atendem cerca de 5 mil universitários.
A Reportagem entrou em contato com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Estado, que pediu para falar com o comando da PM. Este, por sua vez, disse para falar com a PM de Bandeirantes. O responsável não foi encontrado ontem de manhã na cidade. Segundo populares, o município conta com apenas uma viatura para atender a toda Bandeirantes.

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