Moradores e funcionários do Hospital Municipal São Lucas, em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), estiveram ontem pela manhã na delegacia da cidade para cobrar esclarecimentos sobre a investigação policial que apura denúncia de eutanásia, que teria sido provocada por uma médica do hospital. O fato ocorreu em março do ano passado. A diretoria do hospital suspendeu a médica até o fim do processo. O marido dela, que também trabalhava no São Lucas, pediu demissão em novembro do ano passado, mas alguns funcionários do hospital temem que eles sejam recontratados esse ano pela prefeitura, que fará um processo de seleção.
Enfermeiros e um médico que foram favoráveis ao afastamento da médica também denunciam estar sendo ameaçados com a possível volta do casal ao hospital. Eles temem perder o emprego devido à influência dos médicos. ''Estamos trabalhando com medo, sem saber o que vai acontecer'', comentou a enfermeira auxiliar Rosângela Maria de Souza.
A polícia descobriu grampos telefônicos ilegais na casa dela, de outra enfermeira e de um médico. Um homem foi preso acusado de ser o responsável pelos grampos e o delegado de Sertanópolis, Paulo Gomes de Souza disse que a investigação já foi feita e o relatório enviado à procuradoria da cidade. ''Não posso confirmar se houve envolvimento do casal no caso dos grampos porque não conduzi a investigação'', afirmou Souza. Ele assumiu há pouco tempo substituindo o delegado Adriano da Cruz que foi transferido para Curitiba.
Algumas pessoas presentes na delegacia também acusaram de negligência o médico investigado no caso de eutanásia. No entanto, nenhuma denúncia foi formalizada até agora. ''Tenho medo de ir ao hospital e não sei em quem confiar'', desabafou a doméstica Lindinalva Pereira de Lima, 48 anos. Ela disse que foi mal atendida depois de uma cirurgia feita pelo médico.
O diretor-financeiro do São Lucas, José Maria Fontana, informou que o processo de seleção dos médicos será feito por uma organização contratada pela prefeitura e que a direção do hospital não pode dar informações sobre o caso. ''Mas acredito que a médica não possa ser contratada porque está respondendo a um processo'', comentou. O responsável pelas contratações não foi encontrado para falar sobre o assunto.
O inquérito do caso de eutanásia já foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado ao Fórum da cidade. ''O trabalho da polícia nesse caso já se encerrou'', afirmou o delegado. Uma funcionária da vara criminal informou que a promotora que cuidará do caso está em férias e retornará ao trabalho na próxima segunda-feira, para analisar o inquérito e abrir ou não um processo criminal.

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