População cobra agilidade na reconstrução de pontes
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Cambé - Desde o início de janeiro, moradores de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) aguardam a reconstrução de duas pontes destruídas pelas chuvas. A ponte que ficava na Rua Bento Munhoz da Rocha Neto e fazia a ligação entre os jardins Castelo Branco e Bela Itália foi levada pelas águas, assim como a estrutura na Rua Rio Paraná, que ligava o Conjunto Santo Amaro ao Jardim Bela Suíça. Nos dois pontos, as obras começaram, mas a população quer mais agilidade na construção.
"O movimento na minha loja e as vendas caíram 40% desde que a ponte caiu. Todos foram prejudicados aqui, não só os comerciantes. As crianças que estudam no outro bairro têm que dar uma volta enorme para chegar à escola", reclamou a proprietária de uma loja de móveis, Vilma Barros. Na semana passada, maquinários da prefeitura trabalhavam nas obras da Rua Bento Munhoz da Rocha Neto, mas segundo Vilma, o trabalho não é feito com regularidade. "As máquinas não estão aqui todos os dias. Eles trabalham um pouco e param. Tinha uma placa ali dizendo que a obra ficaria pronta até novembro, mas ela já foi retirada."
O marceneiro Bruno Henrique Sambrano mora no Jardim Ana Rosa e trabalha no Castelo Branco. Sem a ponte, o percurso que ele faz da casa para o trabalho é cerca de três quilômetros maior. "Ficou bem mais difícil."
Na Rua Rio Paraná, as obras estão ainda mais cruas. Após o desabamento da ponte que existia no local restou um enorme buraco e as condições da rua hoje são perigosas. Mesmo com sinalização, em março um rapaz que trafegava de bicicleta morreu após cair na "cratera".
"Isso aqui está muito ruim. Quando a gente vai para (o centro de) Cambé, o ônibus que antes passava pela ponte agora tem que dar uma volta grande e a viagem ficou bem mais demorada. Sem contar que é perigoso", disse a aposentada Maria de Lurdes Dias Silva. "O pessoal veio aqui, trabalhou um pouco, mas sumiu."

Proprietário de um pet shop no Conjunto Santo Amaro, Geraldo Ribeiro reclama que após a queda da ponte viu desabar também o movimento de clientes na sua loja. "Os clientes fieis continuam comprando, mas tem muita gente que deixou de vir à minha loja porque mora do outro lado e o acesso é complicado. Essa rua é o coração daqui da região", comentou. "A gente quer essa ponte 100% pronta e não só a metade. Não é só colocar terra. Tem que asfaltar. Antes da eleição estava um fervor danado. Depois da eleição, a obra parou", comentou o jardineiro Flávio Soares da Conceição.
O secretário de Obras de Cambé, Osmarino Manzoni, justificou a demora na execução das obras alegando falta de recursos e as exigências legais, que obrigam a elaboração de projetos, além da morosidade do processo licitatório. A obra da Rua Bento Munhoz da Rocha Neto, garantiu ele, estará pronta até dezembro deste ano, mas a ponte na Rua Rio Paraná não deve ser concluída antes de abril de 2017.
De acordo com Manzoni, a Prefeitura de Cambé contratou a empresa Ecopontes, de Presidente Prudente (SP), para executar a concretagem das duas pontes. "A parte estrutural já foi executada pela empresa de São Paulo. Agora, a Comdec (Companhia de Desenvolvimento de Cambé) está fazendo o aterro e vai fazer a pavimentação asfáltica. Ainda falta fazer as galerias pluviais, as bocas de lobo, o meio-fio, a calçada e colocar as pedras para pavimentação asfáltica. As obras da Bento Munhoz devem ficar prontas antes e assim que forem concluídas, vamos começar as obras que faltam na Rua Rio Paraná", explicou o secretário. Cada ponte irá custar cerca de R$ 1,5 milhão e os recursos são provenientes do próprio município.
"Entendemos que para os moradores é um transtorno, mas em comparação com outros municípios (atingidos pelas chuvas de janeiro), estamos à frente", ressaltou o secretário.


