População carente sofre com a falta de consultas pelo SUS
James Alberti
De Curitiba
A população pobre de Curitiba e da região metropolitana sofre com a falta de consultas médicas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Somente no município de Colombo, por exemplo, 8.409 usuários foram parar numa lista de espera que tem casos como o de Carmelita Siqueira dos Santos, 60 anos, que espera um consulta com um otorrino desde 11 de julho de 1997. De janeiro a junho deste ano, a Central Regional de Especialidades de Colombo pediu 12.328 consultas à Central de Consultas do SUS, administrada pela Prefeitura de Curitiba. Do total, apenas um terço - 3.919 - teriam sido marcadas, segundo a responsável pela Central Regional, Dinah Hastri Mendes Pereira.
A coordenadora das Centrais de Apoio da Secretaria da Saúde de Curitiba, Olga de Castro Deus, contesta o número divulgado por Dinah. Segundo Olga, foram marcadas 4.609. A coordenadora reconhece, no entanto, que há falta de consultas em Curitiba e região metropolitana. Isso é comum a todos os municípios, inclusive o nosso, disse. Desde o começo do ano, conforme ela, foram agendadas 167.936 consultas em Curitiba e 38.197 na região metropolitana.
Para Olga, o problema é causado pela falta de especialistas nos próprios municípios. Segundo Dinah, há em Colombo médicos de 21 especialidades - fora o atendimento básico: ginecologia, pediatria, clínica geral e obstetrícia. A Central Regional, conforme ela, busca consultas médicas de outras 80 áreas em Curitiba. As maiores deficiências são com relação a cirurgias pediátricas, consultas neurológicas, dermatológicas e com urologistas e otorrinos.
Dor e constrangimento- A assistente de aluno Célia Oliveira de Assis, 39 anos, espera desde outubro do ano passado por uma cirugia de uma fístula anal de cinco centímetros. Depois de diagnosticada a doença, num posto de saúde de Colombo, Célia teve que esperar dois meses para conseguir uma consulta no Hospital Evangélico, em Curitiba. Na ocasião, o médico indicou uma cirurgia urgente. No hospital, Célia teria sido informada que seria chamada uma semana depois para ser operada.
Apesar de nunca ter sido chamada, a assistente foi cinco vezes ao hospital e passou por outras cinco consultas, todas com médicos diferentes. Sentia dor e muito constrangimento, disse. No dia 20 deste mês, ela chegou a ser preparada para a cirurgia, mas poucos minutos antes foi comunicada que não havia vaga no hospital. Foi embora, mas a guia da cirurgia ficou. Ontem a assessoria de imprensa do Hospital Evangélico disse que a guia está em aberto e não foi cobrada. Conforme a assessoria, Célia foi comunicada ontem ainda que pode fazer a cirurgia na próxima terça-feira.





