População carente ganha restaurante a R$ 1
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segunda-feira, 08 de agosto de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
O Prato Popular no primeiro dia de funcionamento: iniciativa da Coca-Cola e seus
fabricantes em parceria com o governo. Abaixo, Avelino Pereira, da Spaipa: objetivo é
atender trabalhadores sem renda fixa
Curitiba Arroz, feijão, bife, purê de batata, salada e um copo de refrigerante. Com esse cardápio, cuidadosamente balanceado para totalizar em média 1500 calorias e 120 gramas de proteína, começou a funcionar, ontem, no Centro de Curitiba, o Restaurante Comunitário Prato Popular. Com o preço da refeição a R$ 1,00, trata-se do 11º restaurante do gênero implantado no País, em uma iniciativa da Coca-Cola em parceria com seus fabricantes e governos dos estados.
Em Curitiba, o restaurante funcionará das 11 às 14 horas, com capacidade para atender 300 refeições diárias. Serão atendidas apenas pessoas carentes que se cadastrarem previamente ao programa. O cadastro está sendo feito no local, por meio de um entrevista com uma assistente social, encarregada de selecionar as pessoas que não têm condições de pagar o preço de marcado de uma refeição.
O objetivo, segundo Avelino Pereira, diretor de Finanças e Desenvolvimento Organizacional da Spaipa fabricante da Coca no Paraná e Oeste de São Paulo é atender preferencialmente trabalhadores informais, sem renda fixa. ''Na entrevista, a assistente social vai ver se a pessoa é carente. Podem ser moradores de rua, catadores de papel'', afirmou.
''Está muito bom. Bem melhor do que o restaurante onde normalmente vou, e lá eu pago R$ 3,00'', disse José Batista dos Santos, catador de lixo e um dos primeiros a se cadastrar no programa. Com renda em média de um salário mínimo (R$ 300) por mês, para ele, o restaurante vai significar uma economia importante. Ao seu lado, o também catador Cícero Antonio Ferreira também pretende voltar sempre ao local. ''Quem é mais novo tem mais força e ganha mais. Eu ganho no máximo R$ 40 por semana'', disse.
''É um grande projeto de inclusão social, instalado em ótimo ponto, que vai permitir o acesso de carrinheiros, prostitutas dessa região e dos pobres que vêm ao Hospital de Clínicas'', elogiou o deputado estadual Rafael Greca (PMDB). O restaurante está localizado na esquina das ruas Presidente Faria e Carlos Cavalcanti, em frente ao Passeio Público, no centro da Capital.
Em 1994, então prefeito de Curitiba, Greca inaugurou um restaurante popular, que comercializava refeições a R$ 1,00 e funcionou até 1997. Na época, o local servia diariamente até 2,5 mil refeições entre almoço e jantar. Hoje, a prefeitura também mantém um restaurante na Rua da Cidadania Matriz, no Centro, com refeições a R$ 1,30. Greca e o governador Roberto Requião participaram da inauguração e assim como outras autoridades, almoçou, ontem, no restaurante.
O investimento inicial da Coca-Cola e Spaipa para a montagem do restaurante foi de R$ 100 mil. A estimativa é que as duas empresas gastem entre R$ 12 mil a R$ 16 mil por mês no pagamento da diferença de preço entre o valor cobrado e o custo da refeição. Além da Coca e da Spaipa, o restaurante foi viabilizado em parceria com o governo do Estado, responsável pelo aluguel do prédio; a Puras do Brasil, que fornecerá as refeições a preço de custo; e o Estação Embratel Convention Center, que preparará as refeições em uma de suas cozinhas.
O Projeto Restaurante Comunitário Prato Popular nasceu em 2003, em Porto Alegre (RS), por iniciativa da Vonpar, fabricante local da Coca-Cola. O objetivo da empresa é inaugurar mais quatro restaurantes desse tipo no País.


