O número de presos nos quatro distritos policiais (DPs) de Londrina que mantêm carceragens atingiu o recorde de 638, informou ontem o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Luiz Barroso. Somente o 2º DP, na Zona Leste, está acomodando 341 homens.
Se há vários anos os distritos vêm sendo comparados a ''barris de pólvora'', o risco de uma explosão nunca esteve tão iminente. Com um excedente duas vezes maior em relação ao número de vagas, as tentativas de fuga incorporaram-se à rotina. Na madrugada de ontem, presos conseguiram destruir a porta de uma cela modular no 2º DP. Se os agentes e a Polícia Militar (PM) não tivessem coibido a fuga, 26 homens teriam escapado.
''A verdade é que eles tentam fugir quase todos os dias'', revelou o delegado do 2º DP, Lanevilton Moreira. Ontem, os presos utilizaram uma pequena serra, para abrir a porta. Após a tentativa frustrada, de acordo com Moreira, os presos se negaram a sair das celas e ir até o pátio. O Pelotão de Choque da PM teve de ser chamado.
Inauguradas em abril, as cinco celas modulares do 2º DP representavam uma chance de redução da superlotação, dobrando a capacidade para 116 presos. Mas em pouco tempo também se encheram. Moreira lembra que quando assumiu o distrito, em 1º de junho, havia cerca de 250 presos no local. Em quatro meses, ganhou mais uma centena. ''Após uma rebelião grande no 4º DP, houve uma determinação da chefia para que tanto aquele distrito, quanto o 5º DP, que tem uma estrutura semelhante, não ultrapassem o total de 100 presos. Cada vez que esse número é excedido, o 2º DP tem que acolhê-los'', explicou.
O delegado-chefe ressaltou que, proporcionalmente, a relação entre vagas e presos do 2º DP ainda é melhor que a dos demais. Ele também amenizou a sensação de sufoco nas celas modulares. ''Elas são mais amplas e arejadas, são as melhores que temos nos distritos'', alegou.
Barroso observou que a polícia está conseguindo administrar bem a situação graças a reforços nas grades, à atuação de 25 agentes carcerários contratados recentemente e à adoção de medidas disciplinares. ''Os presos que tentaram fugir ontem não receberão visitas nem alimentos de fora durante pelo menos 30 dias'', contou. Nos últimos quatro meses, conforme o delegado, apenas uma fuga foi registrada nos distritos.
A esperança de alívio continua na inauguração do Centro de Detenção Provisória, várias vezes adiada pelo Estado. Barroso disse ter recebido a informação de que o presídio será entregue no próximo dia 25. A reportagem não conseguiu falar com o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) para comentar o assunto.
Parentes dos detentos do 2º DP ficaram apreensivos. Alguns reclamaram das péssimas condições que os presos são obrigados a suportar e da falta de atendimento médico.
Esposa de um dos presos, V.B., 22 anos, disse que a situação está absurda. ''Tem 25 presos sufocados em cada cela modular. Eles sempre apanham. Meu marido sofreu um infarto esses dias. Ele precisava medir a pressão três vezes por semana, mas não há atendimento médico''.
Moreira informou que o DP conta com o trabalho de um enfermeiro. ''Ele não é médico mas tem condições de triar e fazer o encaminhamento necessário'', assegurou. ''Fazemos três escoltas de presos por dia para receberem assistência médica'', completou o delegado. Para os casos mais graves, ele disse que solicita a transferência para a Casa de Custódia, onde há ambulatório. (Colaborou Luciano Augusto)

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