População briga por asfalto há 4 anos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de abril de 1999
Marccio W. Varella 
Moradores dos bairros Jardim Castelo e Parque São Pedro, em Sarandi (7 km a leste de Maringá), denunciaram à Folha que, embora tenham quitado o carnê da taxa de asfalto há mais de quatro anos, até hoje as ruas onde moram ainda não receberam o benefício. A prefeitura alega que os valores pagos são bastante inferiores ao preço real do asfaltamento das ruas.
O presidente da Associação dos Moradores do Jardim Castelo, Giovani Tavares da Silva, disse que na Rua Canadá, por exemplo, as 35 famílias moradoras pagaram o carnê ainda na administração anterior. Eles (a prefeitura) vivem se justificando, ora dizendo que não têm dinheiro, ora prometendo a licitação de preços para o asfaltamento das ruas, afirmou.
O aposentado Theodoro Bokko, 65 anos, que mora no número 227 da Canadá, disse que está desde 1992 esperando pelo asfalto. Terminei de pagar a minha parte, R$ 300,00, no dia 31 de outubro de 1994 e até hoje essa rua é um aguaceiro triste, lamentou o aposentado.
Na semana passada, o presidente da associação pediu o asfaltamento das ruas ao chefe do Departamento de Engenharia e Obras da Prefeitura de Sarandi, Antônio Carlos Marangoni. À Folha, Marangoni garantiu que vai ser muito complicado asfaltar as ruas dos dois bairros neste ano, principalmente porque o valor pago pelos moradores é bastante inferior, muito mais do que a metade, do que os preços reais.
Marangoni não soube explicar o que aconteceu na época da emissão dos carnês. Se conseguirmos provar nossa capacidade de endividamento e conseguirmos entrar no programa Paraná Urbano, pode ser que o asfaltamento seja feito, mas aí teremos que cobrar a diferença.
Tavares da Silva disse que os moradores não vão aceitar pagar a diferença. Marangoni, entretanto, reforçou que, a preços de hoje, o custo do asfalto na Rua Canadá seria de R$ 800,00 para cada família. E tem mais: hoje trabalhamos de modo inverso ao da administração anterior: primeiro fazemos o asfalto e depois cobramos.
O ex-prefeito Mílton Martini foi procurado pela Folha para explicar os valores considerados abaixo do mercado por Marangoni, mas não foi encontrado pela reportagem.


