População bloqueia três poços do Karst
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quinta-feira, 17 de julho de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Moradores de Colombo protestaram ontem e ameaçaram voltar a desligar os registros se foremm religados pela Sanepar, que já investiu R$ 18 milhões no projetoMarcelo AlmeidaUm grupo de moradores do distrito de Águas Fervidas, em Colombo, interrompeu quarta-feira o funcionamento de três poços que extraem e distribuem água do aquífero Karst. Alegando que a exploração da água subterrânea está secando nascentes e tanques e provocando rachaduras em casas próximas, os manifestantes arrancaram os registros dos poços e colocaram cadeados nos portões. A consequência, segundo a Sanepar, é que cerca de 120 mil pessoas estão sem água, em Colombo e região Norte de Curitiba.
O incidente foi registrado na delegacia de Colombo por três funcionários da Sanepar que dizem ter sido ameaçados e retidos pelos manifestantes durante duas horas. Nosso carro foi fechado por uma camionete e só pudemos sair quando a polícia chegou, diz o engenheiro Edson Samways. A Sanepar diz que os problemas começaram semana passada, quando apareceram nove marcas de tiro num poço.
Marcelo AlmeidaMangueiras que retiravam água do aquífero subterrâneo foram cortadas
Os líderes da comunidade não assumem a autoria dos tiros e negam que tenham retido os funcionários. Mas se dizem dispostos a impedir a continuidade do projeto, no qual a Sanepar já investiu R$ 18 milhões.
Se a Sanepar voltar a ligar os poços, vamos ficar no liga-desliga até que o projeto seja revisto, disse Adilson Fiorese, 31 anos, produtor de mudas que lidera o movimento. Ontem, cerca de 150 pessoas se reuniram no local para um protesto, com o apoio da prefeita de Colombo, Izabete Pavin.
Os moradores de Águas Fervidas mostram peixes mortos, tanques e açudes secos e afirmam que o problema apareceu justamente quando os poços começaram a ser explorados, em junho. Não temos como manter a atividade agrícola se essa exploração continuar, disse Joélcio Fiorese. Segundo ele, outro problema são as rachaduras causadas em cerca de 20 casas pela perfuração.
A prefeita de Colombo diz que cerca de 18 mil pessoas (20% da população do município) vivem da agricultura: É preciso encontrar uma forma tecnicamente correta de explorar o Karst sem prejudicar a população.
O presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, diz que as fontes secaram devido à estiagem e que a casa afetada de maneira mais grave por rachaduras é mal locada, numa estrutura geológica frágil.
Marcelo AlmeidaRiachos estão secando e peixes, morrendo, reclamam os moradores
Segundo Freitas, a exploração do Karst está sendo feita com licença do Instituto Ambiental do Paraná e obedecendo à vazão determinada pelo Ibama e pelo Ministério Público. O trabalho está sendo monitorado e eventuais danos serão indenizados, afirmou.
Ele também informou que a Sanepar colocou à disposição da comunidade um poço para suprir as necessidades de irrigação, mas os moradores de Fervidas afirmam que o poço mal supre a demanda de duas propriedades.
Os três poços em atividade estão produzindo 120 litros de água por segundo. A Sanepar pretende abrir mais 15 poços e obter, ao final, entre 4 mil e 6 mil litros de água por segundo, o que significaria dobrar a capacidade do sistema da Região Metropolitana.


