Édson GuitiTensãoMoradores de Paiçandu aguardam a transferência do acusado da morte do taxista para Maringá: polícia pediu reforços à PMCerca de 300 moradores do município de Paiçandu, a sete quilômetros de Maringá, ameaçaram linchar ontem o funileiro desempregado José Pereira da Silva Filho, 22 anos, conhecido como ‘‘Juninho’’, acusado de matar o taxista Lourival Sizilo, 43 anos, na última sexta-feira. O delegado Hélio Nunes Pires pediu reforços à Polícia Militar para transferir o acusado de Paiçandu para a cadeia da 9ª Subdivisão Policial de Maringá. A PM enviou uma kombi e três soldados às 16 horas. Enviaria mais reforço à noite. A delegacia tem apenas três investigadores e um escrivão. A ex-mulher do taxista foi presa no dia do crime e confessou ter mandado matar Sizilo.
O assassinato revoltou a cidade. Aposentado, Sizilo trabalhava à noite como taxista em Maringá. Ele estava separado há cinco meses da costureira Vera Lúcia Messias Sizilo, 38 anos. Vera foi com as filhas de 10 e de 18 anos de idade morar em Mairinque (SP). Um pouco antes do Natal, o taxista foi visitar as filhas. Segundo o delegado Pires apurou, Sizilo não gostou do ambiente em que as filhas estavam e disse à Vera que iria pedir o divórcio e a guarda das filhas.
Segundo ‘‘Juninho’’, Vera premeditou o crime e inventou uma desculpa para visitar seu marido, que mora em Paiçandu. Disse a ele que iria fazer uma operação e que precisaria da autorização do taxista. Juninho afirma que foi contratado por uma tal de Rosa ‘‘Gorda’’, uma ex-professora de São Roque e amiga de Vera. Ele recebeu R$ 300,00 em dinheiro e R$ 700,00 em cheque. Os três viajaram juntos de São Paulo até Maringá, segundo a polícia. Chegaram a Paiçandu às 8 horas da sexta-feira. Vera foi com Sizilo até a casa dele, no Jardim Canadá. Juninho e Rosa seguiram o casal à distância. Depois do almoço, o taxista dormiu. Em seu depoimento à polícia, Juninho contou que Vera abriu a porta da casa para ele e Rosa.
‘‘Ela (Vera) tinha me prometido entregar um revólver para matar o ex-marido. Mas na hora me entregou um enxadão. Eu estava bêbado. Sou alcoólatra. Se não tivesse bebido não teria coragem de fazer o que fiz. Fui lá e bati quatro vezes com o enxadão na cabeça dele’’, disse Juninho.
Depois do crime, Juninho voltou a um bar de Paiçandu e acabou contando a alguns fregueses que estava ali para matar uma pessoa. Voltou para São Roque, junto com Rosa, mas foi preso pelo delegado Pires, pelo investigador David Tanno e pelo escrivão Lázaro Miranda. Eles chegaram ontem a Paiçandu. Vera está presa em Maringá e vai responder a inquérito por co-autoria e mando de assassinato. A transferência do preso estava prevista para as 21 horas de ontem.

mockup