Os preços são convidativos e quem já conhece os serviços afirma estar satisfeito com a qualidade. Contudo, mesmo após um ano da instalação da Farmácia Popular e seis meses do Restaurante Popular, ambos localizados na área central de Londrina, estes serviços ainda são desconhecidos por grande parte da população. A avaliação é dos responsáveis pelas unidades.
"Nos primeiros meses de início, pelo menos 400 pessoas passavam diariamente por aqui, seja para buscar remédios gratuitos ou com descontos. Quatro meses depois, com menor divulgação nos meios de comunicação, esse número caiu e tem se mantido na média de 200 pessoas por dia", afirma o coordenador da Farmácia Popular, Valcir Miguel da Silva. "Isso é lamentável, porque a maior contribuição desse trabalho é justamente garantir que pessoas com menor condição financeira deem continuidade a seus tratamentos de saúde."
Silva acrescenta que se a população soubesse de todos os benefícios seria possível dobrar o número de atendimentos. "Muitas pessoas ainda não sabem como funciona e até demoram para entender que não precisam se encaixar em um valor máximo de renda mensal para buscar os remédios gratuitos ou terem desconto", salienta.
De acordo com o coordenador, a unidade disponibiliza 113 medicamentos, entre psicotrópicos, antibióticos, hipertensivos, remédios para diabetes e outros. Os descontos variam de 75% a 100% se comparados aos medicamentos genéricos vendidos em farmácias comuns. Dos medicamentos com descontos, os mais procurados em 2012 foram antidepressivos (23,54%), antiulceroso (13,37%)e anticonvulsivante (8,86%). Dos remédios gratuitos, 23,35% foram entregues para pessoas que têm hipertensão, 6,12% para diabéticos e 0,01% para os que sofrem problemas asmáticos.
A farmácia arrecadou neste período R$ 199.425,63. Se os mesmos medicamentos fossem adquiridos em redes comuns o gasto seria de R$ 1.139.575,03, segundo cálculos de Silva.
Qualquer pessoa, com receita médica, pode comprar os medicamentos com descontos. Para receber gratuitamente os remédios para diabetes e pressão alta é necessário apresentar, além da receita, o RG e o CPF. A receita pode ser proveniente da rede pública de atendimento médico (SUS) ou da rede privada.
A agente comunitária Elaine Pereira vai à Farmácia Popular desde que foi inaugurado. Mensalmente, ela busca um medicamento para tratamento de hipertensão arterial para a mãe. "É um gasto a menos, considerando que a aposentadoria não é lá aquelas coisas", destaca. "Só é uma pena que nem todos os idosos conheçam a farmácia popular e acabam gastando dinheiro. Falta mais propaganda, explicarem melhor como funciona isso, porque o acesso à saúde é um direito de todos."
O casal de cozinheiros Nádia Massai e Fernando Gomes conta que também já utiliza os serviços da Farmácia Popular há um ano para a compra de anti-inflamatórios e antibióticos para os filhos.

Bandejão
Desde sua instalação, em julho do ano passado, o Restaurante Popular, localizado na Rua João Cândido, em frente ao Terminal Urbano de Transporte Coletivo, ainda mantém o fluxo diário de mil pessoas. Frequência que poderia ser maior se a população conhecesse melhor a qualidade do serviço, segundo a responsável técnica do restaurante e diretora da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, Maria Inez Passini Lima.
"Até pela localização central, as pessoas conhecem o serviço, mas por ser um restaurante popular, de bandejão, acabam não tendo o interesse", afirma Maria Inez.
O Restaurante Popular atende até 216 pessoas sentadas simultaneamente e a procura maior é dos idosos – cerca de 70%. Cada usuário pode comprar um tíquete por dia e permanecer, no máximo, 30 minutos. O custo total da refeição é de R$ 3,76, mas o preço repassado ao cidadão é de R$ 1,50. A prefeitura custeia a diferença.
Cada refeição tem uma média de 1,4 mil calorias. Segundo Maria Inez, as refeições são balanceadas e o cardápio, disponível no próprio restaurante e na página da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, é desenvolvido por uma nutricionista.
Além das refeições, são realizadas mensalmente ações de educação alimentar e nutrição. A empresa curitibana Ação Social do Paraná (ASP), vencedora da licitação, recebe R$ 569.520,00 mensais pela realização do serviço de funcionamento do restaurante.
A farmacêutica Rosemari Cacefo, que trabalha há mais de um ano em um estabelecimento próximo ao restaurante, conta que só começou a almoçar no local há duas semanas. Ela destaca que se soubesse da qualidade do bandejão ofertado estaria economizando com as refeições diárias há mais tempo. "E tudo é muito organizado, limpo e não tive que esperar muito tempo pelo atendimento."
O secretário financeiro Antônio Alves Barbosa, de 70 anos, também trabalha próximo ao restaurante e aproveita para almoçar com os colegas todos os dias. Ele ressalta que com a mudança, já conseguiu economizar "uma boa graninha". "É tudo muito bem feito. Talvez se houvesse mais locais como esse em outras regiões, como na (Avenida) Saul Elkind (zona norte), mais pessoas poderiam se beneficiar", completa.

Serviço:
A Farmácia Popular (Rua Maranhão, 463, fone 3345-0686) funciona das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira e das 8 às 12 horas aos sábados. Mais informações sobre os medicamentos oferecidos no portal da Prefeitura (www.londrina.pr.gov.br) .
O Restaurante Popular (ao lado do Terminal Central, entre as ruas João Cândido e Pernambuco) funciona de segunda a sexta-feira, das 11 às 14 horas. O guichê para compra de tíquetes fica aberto das 10h45 às 13h30.

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