Além dos argumentos ambientais desfavoráveis à construção de hidrelétricas no Paraná, o secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, argumentou que economicamente os empreedimentos não compensam. A explicação, segundo ele, está no atual modelo de comercialização do setor elétrico (''pool'' de energia), instituído no ano passado.
Segundo a assessoria de imprensa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a comercialização de energia dentro do novo modelo é feito em dois ambientes. No Ambiente de Contratação Regulada (ACR), toda a energia produzida por empreendimentos existentes, assim como a produção de novas usinas, deverá ser vendida em leilões no âmbito da Câmara de Comercialização. Esses leilões serão direcionados a geradores, comercializadores e importadores de energia, que por sua vez, terão como compradores as concessionárias de distribuição.
No Ambiente de Contratação Livre (ACL), as operações de compra e venda de energia serão feitas por meio de contratos bilaterais, negociados livremente entre agentes geradores, comercializadores, importadores e consumidores livres.
Cheida critica este modelo porque o Paraná arcaria com todo o ônus da construção de uma hidrelétrica para abastecer outros estados.''O Paraná é superavitário na produção de energia. Mesmo se crescêssemos a um índice de 5% ao ano, nos próximos 10 anos o Estado não precisará de energia'', projetou. Uma das preocupações do secretário é que o Estado venderia ao pool essa energia mais barata e teria que recomprá-la pelo triplo do valor.
No dia 16 de dezembro a Aneel realiza o leilão de concessão de projetos de usinas, previstas para todo o País. No Paraná estão sendo propostas a instalação de três: Máua, no Rio Tibagi; Salto Grande, no Rio Chopim; e Baixo Iguaçu, no Rio Iguaçu. (C.V.)

mockup