A chefia do Pool de Combustíveis de Londrina administrado pela Petróleo Ipiranga admitiu ontem a responsabilidade pelo vazamento de óleo diesel que contaminou o Ribeirão Lindóia (zona oeste), detectado no início de maio deste ano. A estimativa da empresa é de que vazaram entre 10 mil e 40 mil litros do produto para o subsolo, mas até agora foram recolhidos 1,5 mil litros.
O chefe do Pool, Milton Serralvo, afirmou que a certeza sobre a responsabilidade pelo ''acidente'' foi obtida anteontem, após a conclusão do estudo hidrogeológico. O derramamento aconteceu, segundo ele, em meados de fevereiro e foi provocado pelo rompimento da conexão de uma junta das tubulações próximas ao desvio ferroviário da empresa. O local coincide com a área indicada no laudo pericial do Instituto de Criminalística, divulgado também na quinta-feira.
Serralvo garantiu que a comprovação da responsabilidade foi imediatamente passada à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Ele afirmou que quando foi identificada a anormalidade, após um trabalho de manutenção do equipamento, foram feitos testes, mas o vazamento não foi percebido. Em março, o Pool contratou uma empresa para realizar novos testes e novamente não ficou caracterizado o problema.
O vazamento só foi confirmado em maio, conforme Serralvo, quando foram feitas perfurações de mais de 13 metros de profundidade e as análises indicaram a presença de resíduos de óleo. ''Mas após a interdição da área, ficamos impossibilitados de continuar nossos estudos'', comentou.
A Folha teve acesso ontem ao conteúdo do depoimento de Serralvo ao Ministério Público, colhido em 24 de julho, quando ele já admitia que testes realizados em 20 e 21 de fevereiro haviam indicado erro em algumas leituras. Isso poderia indicar um ''problema de vazamento de combustível ou de ar''. O MP instaurou procedimento para apurar o caso.
A direção do Pool argumentou ser dificil precisar o quanto de óleo ainda está no subsolo, porque o produto pode se decompor em função da variação da temperatura. ''Vamos continuar o trabalho de recuperação do produto'', assegurou Serralvo. Ele disse que uma caixa separadora de água e óleo foi construída para evitar nova contaminação do ribeirão. Outra medida realizada na área não interditada, segundo ele, foi desenterrar os tubos.
O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, disse ontem que, ''em tese, houve crime ambiental de natureza culposa''. Mas ele preferiu não fechar a questão antes de analisar os detalhes do laudo do IC.
O chefe regional do IAP, Andrew Pinheiro Neto, afirmou que a confissão verbal só poderá ser aceita depois de encerrados, de maneira conclusiva, estudos que estão sendo feitos pelo Pool, IAP e comissão multidisciplinar de especialistas indicada pela Justiça. O resultado será apresentado na quinta-feira. ''Conclusivo quer dizer que o óleo que vazou do Pool atingiu o lençol freático e chegou ao ribeirão.''

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