As chuvas que caíram na semana passada em Londrina provocaram febre, dor de garganta e prejuízo financeiro ao vendedor José Roberto Proença. Segundo ele, a gripe que o fez perder três dias de trabalho e irá reduzir seus redimentos mensais poderia ter sido evitada se ele não tivesse tomado chuva dois dias seguidos enquanto esperava pelo ônibus que faz a linha Cambé-Ibiporã nos pontos localizados na avenida Leste-Oeste, próximo ao Terminal Urbano de Londrina, na Área Central.
''Toda vez que chove a maioria das pessoas que está esperando ônibus metropolitano acaba se mollhando, pois a cobertura não é suficiente para abrigar todo mundo. E quando está sol a gente quase derrete de tanto calor'', reclama Proença.
O problema dele é o mesmo vivenciado pelos cerca de um milhão de usuários que dependem do transporte coletivo metropolitano, conforme matéria publicada pela FOLHA em junho de 2011. Dez meses depois, a situação é a mesma.
A falta de estrutura tem gerado um cenário humilhante a milhares de estudantes, trabalhadores e visitantes de dez cidades da região (Rolândia, Apucarana, Cambé, Ibiporã, Assaí, Bela Vista do Paraíso, Jataizinho, São Sebastião da Amoreira, Sertanópolis e Primeiro de Maio). As interligações entre os municípios são feitas por três empresas.
''Eu até deixo de vir a Londrina quando vejo que a previsão é de chuva, pois sei que se estiver no ponto quando chover vou acabar me molhando'', reclama a comerciante Nery Vieira Moraes, que mora em Rolândia e vem a Londrina visitar a mãe, fazer consultas ou resolver questões profissionais.
Morador de Jataizinho, o secretário de igreja Edi Campos Carvalho também reclama dos poucos assentos nos pontos de ônibus. ''Cabem apenas quatro ou cinco pessoas sentadas nos bancos embaixo da cobertura. Por isso é comum ver idosos em pé embaixo do sol com sacolas na mão, mulheres com criança ou pessoas que não estão passando bem escoradas nas paredes do terminal urbano'', ressalta.
Sem data definida
Segundo o coordenador da Região Metropolitana de Londrina, Victor Hugo Dantas, algumas alternativas estão sendo estudadas para resolver o problema da falta de estrutura.
''Estamos realizando algumas reuniões com representantes da Prefeitura de Londrina para juntos pedirmos o apoio do Governo Federal. Entre os projetos avaliados estão a construção de terminais de integração nas regiões Leste e Oeste de Londrina, além de melhorias nos pontos da região central'', afirmou.
De acordo com Dantas já foram realizadas duas reuniões para debater o tema, porém ainda não há data prevista para a solução do problema. ''Prefiro não dar mais detalhes sobre as alternativas para não gerar expectativas. Temos uma próxima reunião agendada para a primeira quinzena de maio e talvez tenhamos novidades depois disso'', comentou Dantas.

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