Pontos de Entrega Voluntária de Londrina terão vigias
CMTU pretende pagar até R$ 659 mil por monitoramento nos locais, que são alvos constantes de incêndios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de março de 2019
CMTU pretende pagar até R$ 659 mil por monitoramento nos locais, que são alvos constantes de incêndios
Pedro Marconi 
Alvos constantes de incêndios criminosos, os PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) de Londrina deverão contar com segurança durante todo o dia, o que hoje não existe. Atualmente são dois locais para destinação de resíduos sólidos, sendo um no jardim Nova Conquista, na zona leste, e outro na região norte, no residencial Vista Bela. A licitação para contratar o serviço foi lançada em fevereiro, tipo menor preço, e acabou sendo republicada no início de março.
O valor máximo estipulado no edital é de R$ 659 mil e também abrange monitor para trabalhar no aterro do Limoeiro, o antigo “lixão”. Para os PEVs estão previstos vigias de segunda-feira a domingo nos períodos diurno, das 7h às 19h, e noturno, das 19h às 7h, com escala de 12 horas de atuação e 36 de descanso para o funcionário. Isso sem os pontos se encontrem descuidados.
As propostas deverão ser entregues na CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) até 21 de março, quando está programada a abertura dos envelopes de documentação e propostas. O órgão justificou a suspensão e posterior republicação da licitação em razão da “constatação de divergências nos valores que balizaram a composição da planilha de custos”. O vínculo com a terceirizada será de 12 meses, a partir da assinatura do contrato, podendo ser renovado por igual período até completar cinco anos, se as partes assim desejarem.

Localizado na rua Capitão João Busse, o Ponto de Entrega Voluntária do Nova Conquista registrou um incêndio de grandes proporções no começo de fevereiro, o que gerou transtornos. O autônomo Milton Augusto da Silva, que mora próximo ao espaço, relatou que já passou mal diversas vezes em razão da fumaça. “Achei que ia morrer de falta de ar, principalmente nesta última vez, no mês passado. Normalmente colocam fogo mais a noite e não tem dia. É meio de semana e fim”, contou.
A reportagem esteve no PEV da zona leste recentemente e encontrou muita sujeira acumulada do lado de fora e uma espécie de triagem de material reciclável bem ao lado. Nos fundos do terreno foi levantado um casebre improvisado. “Já usei esse ponto algumas vezes para despejar alguns materiais de casa. Ele é bom para a comunidade, mas precisa ser mais cuidado”, opinou Silva. No local podem ser dispensados entulho e resíduos da construção civil e madeiras.
VISTA BELA

Já no ponto de entrega do Vista Bela, que está na rua Helmuth Fischer, são autorizados a serem jogados resíduos de construção civil, madeiras, podas e gramas. Segundo o aposentado João Martins, o número de queimas intencionais de materiais vem diminuindo, porém ainda atrapalha a vida da vizinhança. “Onde não tem ninguém que toma conta dá nisso. É algo útil, inclusive com pessoas encontrando objetos para serem reaproveitados, entretanto se colocarem segurança vai melhorar 100%”, projetou.
O casal Antonio e Marilda Silva já pensaram até em deixar a residência onde vivem em decorrência dos males que a fumaça causa aos dois, que têm doenças crônicas. “Temos muitas crianças no bairro e também as prejudica. É difícil a semana que não existe um registro. As vezes acordamos de madrugada com o quarto cheio de fumaça e não sabemos o que fazer. Também falta consciência e respeito pelo bem comum por parte de quem promove isso”, apontam. O PEV do Vista Bela dispõe de grades e portão baixos e com fácil acesso para quem deseja invadir.
MEDIDAS
Inaugurados entre 2015 e 2016, os dois pontos de entrega em funcionamento no município foram criados com o objetivo de normatizar e regularizar o despejo de entulhos e evitar que os materiais fossem jogados em áreas irregulares. Controlados pela CMTU, eles recebem até um metro cubico de resíduos sólidos por usuário, o equivalente a aproximadamente oito carriolas de pedreiro. Podem fazer uso, além da população em geral, jardineiros e pequenos geradores.
Por meio de nota, a companhia informou que tem lavrado boletim de ocorrência quando acontecem incêndios nos PEVs para que sejam feitas investigações e que a licitação para contratar empresa especializada na prestação de monitoramento é a principal medida para acabar com os casos. “Salientamos ainda que ocorreu uma mudança nas horas da portaria. Hoje o porteiro fica das 8h às 20h”, esclareceu. É a portaria que autoriza e faz o controle da entrada nos locais.
VIGILÂNCIA
Secretário de Defesa Social, Pedro Ramos afirmou que apesar dos Pontos de Entrega Voluntária serem atribuições da CMTU, a GM (Guarda Municipal) faz a vigilância nos horários que os espaços estão fechados para a população. “Não temos postos fixos nestes lugares, mas atendemos. Enquanto a licitação para vigilância 24 horas por dia não for finalizada iremos continuar, pois os pontos fazem parte dos estabelecimentos do município.”
O modelo de local público destinado para despejo de materiais foi implantado em Londrina em 2009 por meio de ecoponto, no entanto os espaços determinados na época acabaram se tornando lixões sem nenhum tipo de separação e foram substituídos pelos PEVs. A CMTU garantiu que está em processo de licenciamento de duas novas áreas para novos pontos de entrega e que a intenção é adequar o projeto e modernizá-lo. O órgão não disse como isto se aplicaria e os lugares escolhidos. Em 2018, a média mensal foi de 1.944 caminhões de entulhos no PEV do Nova Conquista e 306 no do Vista Bela.


