Mário CésarPassagem difícilCruzamento das avenidas Universo e Tiradentes, na zona oeste de Londrina: drama diário para atravessar sem acidentes Os motoristas que deixam o bairro Shangri-Lá (zona oeste de Londrina) pela avenida Universo precisam ter uma grande dose de paciência para fazer a conversão na avenida Tiradentes, em direção ao centro da Cidade. É um dos mais confusos cruzamentos levantados pela Folha no trânsito da área central de Londrina.
Quem pretende deixar a avenida Universo no sentido centro precisa avançar alguns metros na contramão e esperar que os carros que transitam em três sentidos dêem uma brecha: os veículos que transitam a Tiradentes nos dois sentidos e aqueles que fazem a conversão da Tiradentes para a Universo.
O motorista da empresa Transportes Coletivo Grande Londrina (TCGL) Milton Ferreira tem esse problema várias vezes por dia há três anos. ‘‘Aquele cruzamento é péssimo, horrível’’, desabafa Ferreira. Ele comenta que, antes de a Prefeitura fazer a sinalização horizontal, era ainda pior. ‘‘Acho que eles estão esperando acontecer uma tragédia para arrumar.’’
Milton Ferreira, que trabalha no período da manhã, fazendo a linha Santa Madalena, conta que é preciso esperar de três a quatro minutos para começar a travessia e depois o ônibus ainda fica atravessado no meio da pista. ‘‘À tarde é pior. Meus colegas ficam esperando até cinco minutos para atravessar a pista.’’
O motorista da TCGL conta que já presenciou alguns acidentes naquele ponto. Na opinião dele, a melhor solução para o cruzamento é a colocação de um semáforo. ‘‘Se você perguntar para todos os motoristas que fazem esta linha eles vão dizer que precisa de um semáforo’’, afirma Ferreira.
Esse foi um dos cinco pontos confusos ou com sinalização problemática identificados pela Folha nos últimos dias. Dois são na área central, um na zona sul e dois na zona oeste (ambos na Tiradentes). Vale lembrar que os motoristas que se envolverem em acidentes em locais onde a sinalização é precária poderão ficar livres das pesadas multas previstas no novo Código Nacional de Trânsito.
Pelo artigo 90, do capítulo 7 do Código de Trânsito, ‘‘não serão aplicadas as sanções previstas neste Código por inobservância à sinalização quando esta for deficiente ou incorreta’’. Segundo o parágrafo primeiro, ‘‘o órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via é responsável pela implantação da sinalização, respondendo pela sua falta, insuficiência ou incorreta colocação’’.
Ainda na avenida Tiradentes, na altura do cruzamento com a rua José de Alencar, pedestres acabam se arriscando na hora da travessia. O semáforo mais próximo fica a duas quadras e o jeito é esperar bastante para que os carros diminuam a velocidade. A doméstica Valdirene Aparecida da Silva diz que é preciso ter muita paciência para fazer a travessia. ‘‘Ou a gente espera um sinal fechar lá em cima para os carros pararem ou a gente pode ser atropelada.’’
No cruzamento das ruas Georgetown e Montevidéu, no parque Guanabara (zona sul), as faixas de sinalização horizontal estão apagadas e só com esforço os motoristas conseguem enxergar no asfalto a indicação de ‘‘Pare’’. No período da noite a visibilidade é muito difícil. E a placa vertical está posicionada de maneira que deixa dúvidas sobre qual é a via preferencial.
Já no cruzamento das ruas Maringá com Ibiporã (área central) o problema maior é tanto para motoristas quanto para pedestres, pois as duas vias têm mão dupla e possibilitam várias conversões.
Outro problema de sinalização atrapalha a vida dos pedestres que passam pelo cruzamento das ruas professor João Cândido, Pio XII e alameda Miguel Blasi (centro). Os sinais para pedestre estão queimados e não funcionam há alguns meses. Quem atravessa na faixa não tem visão do semáforo e precisa se orientar apenas pelos carros antes de começar a travessia.
A aposentada Marina Bortoti Fabro, que mora na avenida Paraná, diz que passa por esse cruzamento todos os dias. ‘‘O problema é que as luzes não estão funcionando bem e a gente tem que olhar se os carros estão parados’’, comenta. Os microempresários Célia Matias e Luiz Carlos Bueno reclamam que a posição dos semáforos é ‘‘péssima’’. ‘‘A gente não enxerga quando o sinal abre e fecha’’, conta Célia. ‘‘Não é nada seguro. Ainda mais com a nova lei de trânsito. E essa lei só vai funcionar para os pobres. Os mais ricos vão dar um jeito de se livrar.’’
O capitão Manoel da Cruz Neto, comandante da Ciatran, diz que os policiais de trânsito vão usar o bom senso na hora de registrar uma ocorrência em local onde a sinalização é deficitária. ‘‘Quando a sinalização é duvidosa, a multa não será aplicada’’, explica o comandante da Ciatran. Ele lembra que as pessoas que se sentirem lesadas poderão recorrer à Justiça.

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