Pontos chegam a custar mais de R$ 100 mil
Para passar de paqueiro a dono do próprio táxi há alguns obstáculos. O principal deles é o custo da mudança. A prática, conforme a CMTU, é ilegal, mas a julgar pelo relato de muitos taxistas o comércio de pontos é um negócio altamente lucrativo em Londrina. Os endereços mais cobiçados, como aqueles próximos a shoppings ou locais de grande fluxo de pessoas como o Terminal Rodoviário e o Aeroporto, chegam a ser negociados por valores que ultrapassariam facilmente os R$ 100 mil.
Um trabalhador entrevistado pela Folha decidiu investir na profissão de taxista após se aposentar. Cansado de ficar em casa, inicialmente ele atuou como motorista auxiliar por alguns meses. Como não obteve o resultado esperado, o aposentado então optou por comprar um ponto por R$ 22,5 mil. Ainda teve de adquirir outro carro para trabalhar no valor de R$ 13 mil , pagar R$ 145,00 para se filiar a uma associação de motoristas, alugar um radiocomunicador por R$ 60,00 mensais, além de arcar com outras despesas como contas de luz e telefone do ponto e aferição do taxímetro. Ainda que seus ganhos mensais não sejam tão atraentes cerca de R$ 500,00 ele comemora a nova profissão. ''Agora arrumei uma coisa que eu gosto. Com o rádio, ficou mais divertido ainda, porque a coisa que eu mais gosto é conversar'', brinca.
O taxista novato pode estar feliz na nova ocupação mas a comercialização de pontos é ilegal, segundo o coordenador de Transportes Comerciais da CMTU, Luciano Daschevi. ''Se ele (taxista titular do ponto) conseguir comercializar quem comprou fica sem nenhum respaldo. Hoje não fazemos transferências, a não ser se for uma decisão judicial'', alerta.
Já com relação aos motoristas auxiliares, a CMTU esclarece que são regulares. Cada permissionário pode cadastrar até dois ''paqueiros'' em um mesmo carro. Mas admite que alguns permissionários não tomam esses cuidados. ''Se o motorista auxiliar cometer alguma infração ela recai sobre o permissionário. Nem todos são conscientes e alguns permitem que seus veículos sejam dirigidos por qualquer pessoa'', comenta Daschevi. Quando é flagrado, o motorista é notificado e instruído a comparecer à CMTU para se cadastrar. (L.A.)





