Ironicamente, o mais problemático mocó de Londrina não funciona em nenhuma casa nem prédio público. É em uma área de terra batida na Rua Benjamin Constant (Centro), próximo ao Pronto Atendimento Infantil (PAI), que um grupo resiste há mais de um ano às abordagens dos programas de assistência e às incursões da Polícia. Tentativas de removê-los, foram várias: uma árvore onde se abrigavam e que deu nome ao lugar conhecido como Seringueira foi cortada; um quiosque usado por carroceiros foi demolido; uma caçamba foi removida.
''Todo mundo vem aqui mas ninguém ajuda'', resumiu um adolescente, entre uma aspirada e outra em um saquinho com cola. ''Nós somos do fim do mundo'', falou outro ao ser questionado de onde vinham. Ali, meninos e meninas passam o dia se drogando e dormindo em velhas espumas na calçada, tendo como platéia a população que passa apressada.
Outros mocós de Londrina, principalmentes na área central, também se tornaram conhecidos da população, dado o tempo em que existiram e as discussões que provocaram. Depois de alguma insistência e de fechamentos e aberturas boa parte deles foi desativada.
Um dos mais conhecidos foi o que funcionou por anos numa construção abandonada na Avenida Duque de Caxias. Ocupado e desocupado por diversas vezes, o ''mocó da Duque'' só acabou depois que o prédio foi demolido há pouco mais de um ano. Outros famosos foram os do Anfiteatro do Zerão e o do Ginásio do Moringão, duas áreas públicas usadas para caminhadas e eventos esportivos e culturais. Ambos abrigavam em sua maioria adolescentes e também acabaram desativados. O Moringão foi cercado com grades para não sofrer invasões.
No cruzamento da Rua Jorge Casoni com Avenida Santos Dumont, um galpão abandonado teve os acessos fechados com tijolos e cimento depois que passou a ser frequentado por andarilhos usuários de drogas. O local chegou a sofrer um princípio de incêndio que quase se alastrou para uma madeireira vizinha.
Um dos últimos a ter fim foi um mocó localizado na esquina da Rua Brasil com Espírito Santo, no Centro. Há alguns dias, uma das casas foi destruída por um incêndio e outra foi demolida e doada para o projeto ''Onde Moras'', que reutiliza o material na construção de outras casas.
Nem quem mora num dos endereços mais nobres da cidade, a Avenida Higienópolis, está livre deste problema social. No local, um imóvel foi invadido há alguns meses. Foram colocadas grades mas a proteção foi quebrada e há indícios - cobertores e roupas - de que continua servindo de abrigo para moradores de rua.

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