Depois de mais de um ano de espera, moradores dos bairros Maria Celina e Barcelona (Zona Norte e Zona Oeste) estão perto de resolver seus problemas de ir e vir. A prefeitura abriu o processo licitatório para construção da ponte que liga os dois bairros sobre o Ribeirão Lindóia. A previsão é que as obras iniciem em outubro.
Hoje, uma pinguela precária, que balança perigosamente a cada passo, é o único elo de ligação entre as duas regiões. Mesmo com o perigo, o atalho é usado por dezenas de pessoas diariamente e até motociclistas cortam caminho por ali. ''Desde o tempo que eu estou morando aqui oito motoqueiros já caíram no rio'', conta a dona de casa Maria Goreti, 39 anos e há pouco mais de um ano morando no Barcelona.
Talvez por isso, ela mesma não se arrisca. ''Antes, quando tinha menos mato, eu passava por dentro do rio; hoje prefiro dar a volta'', garante. Dar a volta significa andar 7 quilômetros a mais. ''Tenho amigos do outro lado mas a gente acaba nem indo visitá-los'', afirma. Para a moradora, a conclusão da ponte significaria também mais segurança. ''O pessoal rouba de um lado e foge para o outro porque sabe que a polícia não consegue passar e aí dá tempo para fugir'', esclarece.
Para o metalúrgico Valcemir Aparecido Souza, 24 anos, passar pela ponte faz parte do seu trajeto diário entre o trabalho e a casa. '''É arriscado, mas não tem jeito'', diz. Ele pedala quase 8 quilômetros para chegar ao trabalho. Se não usar a ponte tem que andar mais 5 quilômetros. Segundo ele, no horário de ir para o trabalho tem até fila na ponte.
A atual pinguela é apenas um resquício de uma ponte improvisada pelos próprios moradores há cerca de um ano e meio. A irregularidade da obra - árvores foram arrancadas e o leito do rio sofreu assoreamento - levaram o Ministério Público (MP) a intervir e obrigar a Prefeitura de Londrina a retirar a estrutura. A intervenção aconteceu em dezembro de 2002.
Para evitar conflitos com os moradores - a prefeitura tentou, sem sucesso, iniciar a retirada mais de uma vez - optou-se pelo projeto da ponte. Segundo o secretário de Obras, Aloysio de Freitas, houve demora no início do projeto por conta dos custos, cerca de R$ 300 mil. O dinheiro foi liberado pelo Ministério das Cidades.
A secretaria espera que a ponte, que terá passagem de carros, possa também desafogar parte do tráfego de veículos da avenida Wiston Churchil. No local, será construído um bueiro metálico e um aterro que vai diminuir a declividade da área. Segundo o secretário, a ponte terá nove metros de largura, duas pistas e calçadas para o trânsito de pedestres.

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