Principal ligação entre Brasil e Paraguai, a Ponte da Amizade vai passar pela primeira reforma completa em seus 33 anos de existência. A previsão é que as obras comecem em novembro e durem seis meses. Em parte desse tempo, o tráfego deverá ser limitado a meia pista, agravando os já constantes congestionamentos no local.
O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) - órgão responsável pela ponte - deverá divulgar até o final de outubro o nome da empresa vencedora da licitação para a reforma. Cinco empresas - três do Paraná, uma de São Paulo e outra do Rio de Janeiro - disputam a obra. O valor máximo fixado pelo DNER é de R$ 822 mil. Vencerá a empresa que apresentar o orçamento mais baixo.
Está prevista a substituição das juntas de dilatação e uma pintura completa da estrutura, que tem 552,4 metros de extensão, 13,5 metros de largura, altura média de 70 metros, e um vão livre de 303 metros, um dos maiores do mundo. Juntas de dilatação são peças de material elástico colocadas entre as placas de concreto de uma obra para suportar variações de temperatura.
A substituição das juntas deverá durar cerca de 45 dias. Nesse período, o tráfego será liberado em apenas meia pista. ‘‘Tentaremos tumultuar o trânsito o mínimo possível’’, promete Vicente Veríssimo Júnior, chefe do Escritório Regional do DNER em Foz do Iguaçu.
Única ligação entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este (Paraguai), pela Ponte da Amizade transitam, em média, 30 mil pessoas e 18,5 mil veículos por dia. As duas cidades são separadas pelo Rio Paraná. Até a inauguração da ponte, em 27 de março de 1965, a travessia do rio era feita de balsa.
A pintura da ponte, que tem 30 mil metros quadrados de concreto, deverá consumir 30 mil litros de uma tinta especial, que possui um conservante para que a pintura tenha maior durabilidade. A cor ainda não foi escolhida, mas deverá variar entre o branco e o creme.
Há cerca de 45 dias, o DNER concluiu a troca da grade que separa as pistas do passeio de pedestres. A altura das grades aumentou dos antigos 80 centímetros para 1,5 metro. O objetivo principal é evitar atropelamentos, que estavam se tornando comuns. O custo dessa obra chegou a R$ 90 mil.
Na opinião de Veríssimo Júnior, a reforma da Ponte da Amizade poderá restabelecer a obra como ponto turístico. ‘‘Na época da inauguração, os turistas que visitavam Foz faziam passeios à Ponte da Amizade. Hoje, devido à má conservação e à falta de segurança, isso não acontece mais’’. Construída por dois governos militares - Humberto de Alencar Castello Branco, no Brasil, e Alfredo Stroessner, no Paraguai -, a Ponte da Amizade foi considerada um marco da arquitetura dos dois países.
Contrabando A reforma não deve mudar um quadro que já é rotineiro na ponte. Diariamente, Receita Federal e cigarreiros (desempregados que ganham a vida cruzando a ponte com cigarro contrabandeado do Paraguai para o Brasil) travam uma guerra, vencida geralmente por estes últimos.
Para tentar evitar que os cigarreiros joguem os fardos com o produto na margem brasileira do Rio Paraná - onde eles são recolhidos por ‘‘cúmplices’’ -, com o objetivo de fugir da aduana, onde a mercadoria seria apreendida, a Receita instalou uma grade de 3,20 metros de altura por 100 metros de extensão a partir da cabeceira da ponte.
Mas os cigarreiros abrem fendas na grade, algumas tão grandes que é possível até a passagem de uma pessoa. ‘‘Toda semana consertamos esses buracos, mas a velocidade da recuperação é menor que a da destruição’’, lamenta o chefe do Serviço de Programação e Logística (Sepol) da Delegacia da Receita em Foz do Iguaçu, Samuel Benck Filho.
No ano passado, toda a grade foi trocada, a um custo de R$ 16 mil. Mas, poucos dias depois, já começaram a aparecer os primeiros buracos.

NÚMEROS DA PONTE
Altura: 70 m (em média)
Largura: 13,5 m
Extensão: 552,40 m
Inauguração: 27/3/1965
Pedestres por dia: 30 mil
Veículos por dia: 18,5 mil

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