Curitiba - A entrega oficial das obras de reconstrução da ponte férrea sobre o Rio São João, na Serra do Mar, deve coincidir com o aniversário de um ano do acidente que a destruiu parcialmente (leia mais nesta página). Os trabalhos estão em fase de acabamento com a substituição de peças e rebites soltos ou enferrujados e, também, de pintura do arco (estrutura que fica embaixo da ponte).
De acordo com engenheiro responsável pela reconstrução, Raul Ozório de Almeida, a previsão é concluir os serviços em 45 dias, já que o trabalho de pintura é lento por causa das condições climáticas no local. A equipe de 25 funcionários que está trabalhando só pode começar a pintar após as 10 horas da manhã, depois que a neblina já baixou, pois a umidade do ar deve estar abaixo dos 85% para não comprometer a fixação e secagem.
Serão usados cerca de 6 mil litros de tinta nos 14 mil metros quadrados da estrutura metálica da ponte. Somente nessa fase da pintura, os gastos chegam a R$ 1,5 milhão. Na reconstrução, foram investidos perto de R$ 6 milhões, segundo informações da América Latina Logística (ALL), concessionária que opera a malha ferroviária do Estado.
Mas todo o trabalho de recuperação da ponte ainda está na mira da Coordenadoria do Patrimônio Cultural, que entregou, na última quinta-feira, um relatório técnico de 70 páginas para subsidiar a Procuradoria Geral do Estado (PGE) em uma medida judicial contra a ALL. A Secretaria de Estado da Cultura quer que a concessionária seja responsabilizada pela descaracterização da ponte centenária.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria, a ALL fez a obra sem obedecer as orientações do projeto de restauração repassado à empresa. Um dos questionamentos é com relação à técnica de fixação das peças, que usou solda no lugar dos rebites.
Já a assessoria da ALL garante que foi a concessionária quem encaminhou o projeto de recuperação da ponte no dia 27 de setembro do ano passado para a Secretaria e somente no dia 20 de janeiro, quase quatro meses depois, recebeu a notificação de que o projeto não havia sido aprovado.
A procuradora Ana Cláudia Bento Graff não quis adiantar detalhes da ação que ainda está sendo elaborada. Ela lembrou que qualquer intervenção na ponte dependeria de anuência da Secretaria de Estado da Cultura, pois a estrutura integra a Serra do Mar, que é tombada como patrimônio histórico e cultural.

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