O Conselho Estadual do Patrimônio Histórico aprovou ontem por unanimidade o tombamento da metade paranaense da ponte pênsil sobre o Rio Paranapanema, que liga os municípios de Ribeirão Claro (24 km a leste de Jacarezinho) a Xavantes (SP). A construção, batizada como Alves Lima (uma homenagem ao fazendeiro Antônio Manoel Alves Lima, engenheiro responsável pelo projeto, que dividiu com a prefeitura local as despesas da obra) é uma das quatro do gênero no País e foi erguida entre 1917 e 1922.

Entre outros fatos curiosos da biografia deste marco arquitetônico, estão suas três reconstruções, ocorridas após a Revolução de 1924 e 1932 e da enchente de 1983. A ponte tem extensão de 164 metros (parte dela é convencional) e ainda abriga tráfego de carros de passeio. O tombamento total da via é uma reivindicação dos moradores de Ribeirão Claro desde que autoridades paulistas aprovaram o tombamento da metade paulista da ponte em 1985.

Além do reconhecimento oficial do valor histórico da obra, a decisão garante a proteção do Estado para seu padrão arquitetônico e material, abrindo as portas para investimentos da iniciativa privada, que pode usar recursos de renúncia fiscal para bancar sua manutenção. A recuperação total da ponte é um dos próximos objetivos da prefeitura, que pretende torná-la parte de um caminho turístico assim que outra moderna ponte de concreto for concluída na divisa, paralelamente a construção da Hidrelétrica de Ourinhos.

O processo de tombamento foi iniciado há nove meses, quando a documentação com fotos e detalhes históricos foi enviada a um membro do conselho, composto por 10 integrantes efetivos e 10 membros consultores. Durante este prazo, o conselheiro responsável elaborou um relatório com o que estudou. No documento, deu parecer favorável ao tombamento, tema de uma exposição em plenário antes da votação.

Um dos maiores defensores do tombamento foi o departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina, especialmente a professora Ana Maria Chiarotti de Almeida, que esteve ontem na reunião em Curitiba. Ela fez um levantamento histórico e publicou livros sobre Ribeirão Claro, berço da cafeicultura paranaense.

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