Ponte põe em risco vida de agricultores
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sexta-feira, 29 de janeiro de 1999
Edna Mendes 
As péssimas condições de uma ponte, conhecida como Ponte Preta, sobre o Rio Congonhas, no limite dos municípios de Uraí e Cornélio Procópio, estão pondo em risco a vida dos produtores rurais que moram na região e precisam se utilizar diariamente dela para ir até Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio). Construída em madeira há pelo menos 50 anos, a ponte, que tem aproximadamente 60 metros de extensão, está parcialmente destruída e ameaça desabar.
Segundo os moradores, há pelo menos sete anos a ponte não recebe nenhum tipo de reparo. Caminhões e máquinas agrícolas não podem atravessar o rio porque várias tábuas de madeira da ponte estão podres e comprometem toda a estrutura. Inclusive, treme toda quando um veículo pesado se arrisca a passar por ela.
Ano passado, alguns agricultores chegaram a colocar galhos de árvores de eucalipto próximos aos pilares de concreto como medida paliativa para evitar que a estrutra desabasse. Quem não quer se arriscar é obrigado a dar uma volta de cerca de 15 quilômetros numa estrada de terra.
O agricultor Antônio Gambini, 52 anos, que mora há 38 anos na região, disse que os moradores procuraram, por diversas vezes, as prefeituras de Uraí e de Cornélio Procópio, mas não conseguiram ajuda para a construção de uma nova ponte. Há cinco anos os prefeitos estão prometendo construir a ponte, mas até hoje nada. Até o governador Jaime Lerner, quando esteve aqui fazendo campanha política, disse que iria construir a ponte. Não sabemos mais a quem recorrer.
Gambini também disse que a estrada usada como desvio não é nem ao menos cascalhada e que os caminhões carregados com cereais atolam com frequência em dias de chuva. A situação é muito crítica porque não temos alternativas. Este descaso com o povo daqui é uma vergonha. Estão brincando com as nossas vidas , desabafou.
Segundo o agricultor Devalter Schiabel, 41 anos, os prefeitos de Uraí e Cornélio já teriam feito uma parceria para a construção de um nova ponte. Eles estiveram aqui e combinaram que construiriam juntos a ponte. Depois, eles nunca mais deram atenção para o caso. Schiabel declarou que se nas próximas semanas as autoridades não tomarem providências, os agricultores prometem colocar fogo na ponte.
O prefeito de Uraí, Susumo Itimura (sem partido), disse ontem que logo após o acordo entre as duas prefeituras, o Departamento Estadual de Rodagem (DER) se manifestou alertando que a responsabilidade da construção da ponte era do órgão e não das prefeituras. O DER pediu um projeto para que pudesse iniciar as obras, justificou.
Segundo Itimura, o projeto foi encaminhado em abril de 98 juntamente com um ofício onde o município solicitava a construção da ponte. Depois disso, não obtivemos mais respostas. Agora, pretendemos dar sequência ao nosso acordo com a Prefeitura de Cornélio Procópio. De acordo com o prefeito, as obras devem se iniciar daqui há dois meses. Ele não soube informar o valor da obra.
Ontem, a Folha procurou o engenheiro do DER, em Ibiporã, Marco Aurélio Gataz Sguário, que responde pelo órgão na região, mas ele estava viajando. O prefeito de Cornélio Procópio, José Antonio da Fonseca (PMDB), também não foi localizado. A chefia de seu gabinete não soube dar informações sobre a construção da ponte.


