Ribeirão Claro Um dos patrimônios históricos mais importantes do Norte do Paraná está sendo ameaçado pelo aumento de tráfego de veículos na região. A ponte pênsil Alves de Lima, sobre o Rio Paranapanema e que liga os municípios de Ribeirão Claro (24 km a leste de Jacarezinho) a Chavantes (SP), está sendo usada como desvio por motoristas que não querem pagar pedágio na BR-153, em Jacarezinho.
Feita de madeira e mantida sobre colunas, a ponte é uma das quatro do gênero existentes no País. Com 152,4 metros de extensão e 4,10 metros de largura, ela foi construída entre 1917 e 1922 pelos pioneiros da região e comporta veículos somente com 2,5 metros de largura e abaixo de dois metros de altura, com capacidade de carga de 10 toneladas.
Segundo informações da coordenadoria do Patrimônio Cultural do Paraná, a ponte está ameaçada pelo aumento no tráfego e pela demora na elaboração de um projeto de restauração. A coordenadoria classificou como ''urgente'' a necessidade de liberação das obras de restauração e a restrição do tráfego. A direção do órgão avalia que as medidas devem ser adotadas imediatamente para que não haja possibilidade de danos.
A coordenadora do Patrimônio Cultural, Rosina Parchen, disse que a importância histórica e cultural da ponte extrapola o âmbito estadual. De acordo com ela, a metade paranaense da ponte foi tombada pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico em agosto de 2001 enquanto a metade paulista teria sido tombada pelo Estado de São Paulo em 1985, período em que foi realizada a última reforma. Ela disse que a situação é ''preocupante''.
Segundo dados da prefeitura de Ribeirão Claro, houve um aumento ''considerável'' no tráfego da ponte desde que a concessionária Econorte instalou uma praça de pedágio em Jacarezinho. O secretário municipal de Finanças, Fábio de Lucca, disse que a empresa Ambiental Consultoria, do Rio de Janeiro, confirmou, no início do ano, a suspeita de cupins na estrutura da ponte. Ele também confirmou que veículos desviam do pedágio e utilizam o acesso secundário para São Paulo através dela. ''Nossa ponte virou uma alternativa barata'', lamentou.
A Secretaria de Estado da Cultura informou, por meio da coordenadoria do Patrimônio Cultural, que em fevereiro foi encaminhada uma solicitação de restauração para o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). O gerente de operações rodoviárias da superintendência regional norte do DER, em Londrina, Sérgio Selvatici, disse que a solicitação está em trâmite, porém adiantou que não há prazo para ser liberada.
Selvatici disse que a solicitação deve ser aprovada para, em seguida, ter início o processo de elaboração de projeto e licitação. De acordo com ele, em 2002, durante uma avaliação preliminar, um projeto de recuperação foi estimado em R$ 460 mil.
No final de 2002, parte do madeiramento da ponte composto por vigas e pranchões foi substituído em uma ação conjunta das prefeituras de Ribeirão Claro e Chavantes.

mockup