Ponte é esperança de desenvolvimento
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sábado, 18 de abril de 1998
Paulo Pegoraro 
Edson MazzettoTempo recordeA ponte sobre o Rio Paraná, com 3.598 metros, maior do Brasil sobre rio e a obra mais demorada: 12 anos Inaugurada há pouco menos de três meses, a Ponte Airton Senna, sobre o Rio Paraná, ligando as cidades de Guaíra (158 km ao norte de Cascavel) e Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul, ainda não reverteu no fruto do desenvolvimento esperado pelas lideranças dois lados da divisa, e também da vizinha cidade de Salto del Guairá, no Paraguai, centro comercial de importados. Dirigentes de entidades empresariais, no entanto, acham que há um processo natural de maturação para o desenvolvimento e até identificam alguns sinais de dinamização da economia.
A ponte, com 3.598 metros, é a maior do Brasil sobre rio. O tempo de sua construção, 12 anos, também foi o mais prolongado entre obras do gênero porque houve várias paralisações. Para moradores de Guaíra, a obra era apresentada como uma espécie de compensação à perda das Sete Quedas, formações rochosas do Rio Paraná que atraíam visitantes de todas as partes do mundo, alimentando o comércio e serviços locais. As Sete Quedas foram encobertas em 1982, com a formação do reservatório da Hidrelétrica de Itaipu.
A partir de então, Guaíra entrou em declínio econômico, provocando desânimo na população, situações que se aprofundaram ao longo do tempo com a descrença de que a ponte fosse concluída. As obras haviam sido iniciadas pela Eletrosul, que precisava de uma estrutura de serviço para construir a hidrelétrica de Ilha Grande, no mesmo ponto. O projeto da usina acabou abandonado e o mesmo ocorreu com a ponte. Pressões de toda a região fizeram com que o governo federal retomasse a construção, mas as paralisações foram contínuas, sob alegações diversas como falta de recursos, por exemplo.
O governo do Paraná reacendeu as esperanças da região em 1994 ao assumir a conclusão com autorização federal. Houve novas interrupções, mas enfim, o projeto se encaminhou para o final, etapa na qual foram investidos R$ 23,8 milhões, até que no dia 24 de janeiro deste ano a ponte estava sendo inaugurada, com uma festa que reuniu 20 mil pessoas. A festa foi ainda maior quando o governador Jaime Lerner (PFL) anunciou, de surpresa, que carros com placas de Guaíra não pagariam pedágio. Depois, a isenção também foi concedida a placas de Mundo Novo.
Jaime Lerner lembrou das Sete Quedas, no dia da inauguração, e estimou que a ponte compensasse sua perda. Os moradores da região ainda esperam que isso aconteça. Ainda não é o que se imaginava, diz o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Guaíra (Aciag), Osmar Volpatto. Maria Biúdez Rojas, comerciante de Salto del Guaíra, a ponte por enquanto pouco acrescentou em movimento nas lojas. Para o camioneiro Antônio José Barbosa, que transporta cargas do Mato Grosso do Sul para o Paraná, o pedágio na ponte incomoda, mas agora é uma beleza passar o rio. Antes, havia o caro e moroso serviço de balsas.
O Mato Grosso do Sul, que ganhou a ponte de graça porque não investiu nada nela, ainda tem a dívida da pavimentação do trecho de menos de 500 metros entre a ponte e a rodovia que leva a Mundo Novo e às demais regiões do Estado. Na véspera da inauguração da obra pelo governo paranaense, o trecho foi coberto com lama asfáltica, de efeito meramente visual, pois os primeiros carros que passaram arrancaram a película. Há, por enquanto, apenas a terraplanagem em nova pista, ao lado, mas as constantes chuvas dos primeiros meses do ano estariam impedindo a pavimentação.


