Edson MazettoTravessiaMaior
ponte
fluvial
do
Brasil
tem
3.598,60
metros de
extensão e
18,8 metros
de largura;
Cobrança
de pedágio
a partir
de amanhã
vai gerar
recursos
para obras
complementaresA ponte sobre o Rio Paraná, ligando o Estado ao de Mato Grosso do Sul, através de Guaíra e Mundo Novo, será inaugurada às 9h30 de hoje, depois de 12 anos de início das obras. É a maior ponte fluvial do Brasil, com 3.598,60 metros de extensão e 18,8 metros de largura.
A inauguração será presidida pelo governador Jaime Lerner (PFL), com presença do governador do Mato Grosso do Sul, Wilson Barbosa Martins (PMDB). O ministro dos Transportes Eliseu Padilha também é esperado para a inauguração.
A obra havia sido iniciada em 1985 pelo governo federal, mas foi abandonada em 1990. O governo do Paraná assumiu inteiramente os custos de sua conclusão, de R$ 29.798.753,09. O de Mato Grosso do Sul executou apenas acessos na margem direita. A ponte absorverá tráfego do Centro-Oeste brasileiro e do Paraguai, ampliando a polarização geopolítica e econômica do Estado.
A ponte estabelece uma transversal, rumo a centros agroindustriais paranaenses e ao porto de Paranaguá - utilizado por Mato Grosso do Sul e Paraguai -, sobre a hidrovia que ao mesmo tempo se estabelece no mesmo trecho do rio. Estima-se que no pico das safras agrícolas, 2,5 mil carros (50% pesados) passarão pela ponte, que vai facilitar e tornar mais rápida e segura a transposição do rio, até agora feita por moroso e caro serviço de balsas.
Não há exagero em estimar que provavelmente a maior parte dos moradores de Guaíra, de 29 mil habitantes, e parcela considerável dos vizinhos de Mundo Novo estarão presentes à inauguração. Afinal, encerra-se aquilo que a população da área denominava de ‘‘novela’’, de ‘‘capítulos’’ meramente dolorosos, o que encontra embasamento no histórico do projeto. Muita gente da região ribeirinha sequer acreditava que um dia a ponte fosse concluída.
O governo federal, através da empresa de energia Eletrosul, havia projetado a ponte também com a função de serviço para apoiar as obras da Hidrelétrica de Ilha Grande, que seria construída nas imediações. Com a construção de Itaipu, 200 quilômetros rio abaixo, e com a falta de novos recursos, o projeto de Ilha Grande foi abandonado, apesar de etapas preliminares e um gigantesco conjunto administrativo e residencial (para operários e técnicos) ter sido implantado.
A construção da ponte depois passou à responsabilidade do DNER, mas intercalada por longos períodos de paralisação, até a completa paralisação em julho de 1990. Até 1993, quem passava pelo rio de balsa contemplava alguns pilares, que pareciam ser apenas escombros. Diante da importância da obra para o Estado, e da cobrança da população, o governo do Paraná decidiu assumir o projeto, recursos e execução, mediante acordo com o DNER e anuência da Eletrosul.
ReinícioEm 11 de janeiro 1994 as obras eram reiniciadas, com prazo à empreiteira contratada de 720 dias para conclusão, mas houve nova interrupção, de um ano, a partir de janeiro de 1995, decorrente de desentendimentos sobre valores contratuais. Com correções de valores, os trabalhos foram reiniciados em março de 1996, havendo mais tarde curta interrupção por problemas relacionados a exigências da Marinha quanto ao canal de navegação.
Tudo isso é passado, mas gente como o camioneiro de Corbélia, Valdir Vargas, 48 anos, 20 de profissão, não esquece. Ele passava pelo rio nas balsas ‘‘desde o tempo em que nem se pensava em ponte. Vi ela ser começada e vi parar inúmeras vezes’’. Vargas era um dos incrédulos quanto a conclusão das obras. Cézar Conte, 24 anos, lembra a demora de até uma hora e meia na travessia, quase a mesma para fazer os 160 quilômetros entre Guaíra e sua casa, em Cascavel.
‘‘Nem dava para acreditar que o sufoco terminaria’’, diz Conte. Seu colega Adalto Zeferino, 40 anos, relata que com o que gastava na balsa ‘‘dava para colocar uns 100 litros de combustível no caminhão’’. Em média, os motoristas chegavam a pagar R$ 50,00 pela travessia, ida e volta, reduzindo sensivelmente seus ganhos, o mesmo ocorrendo com as empresas transportadoras, caso de uma de Cascavel, com 20 caminhões, que gastava mensalmente cerca de R$ 3,2 mil nas balsas.
O DER iniciará amanhã a cobrança de pedágio na ponte, via Banestado (com posto na cabeceira do lado paranaense), segundo seu diretor-geral, Paulinho Dalmáz, para arrecadar recursos para obras complementares como ampliação de acessos, equipamentos para monitoração do tráfego e para operação e manutenção. A tarifa será de R$ 1,00 para motocicletas, R$ 3,00 automóveis, R$ 7,00 ônibus e caminhões e R$ 10,00 carretas.

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