Luciane Tonon

Carlos Almeida A queda da cabeceira da ponte sobre o rio Laranjinhas, que liga os distritos de São Francisco do Imbaú emRibeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho) a Triolândia em Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio), no início de janeiro, mudou a rotina dos moradores. A distância entre os distritos é de seis quilômetros pela ponte. Sem ela, é preciso fazer um desvio de 70 quilômetros por Nova Fátima.
‘‘Tudo está mudado, até o preço de mercadorias subiu porque os viajantes têm que dar uma volta de 70 quilômetros para abastecer os dois distritos. Isso quando eles vêm, porque muitos já desistiram de vender aqui’’, diz o agricultor Antônio José de Oliveira, 36 anos. Ele mora no distrito De São Francisco do Imbaú com outras 200 famílias. Em Triolândia moram 800 famílias.
O acúmulo de entulhos e árvores nos pilares, arrastados pela correnteza em época de enchente, fez com que o leito do rio se desviasse para as margens, corroendo a sustentação da ponte. Segundo Antônio de Oliveira, o monte de entulhos chega a seis metros de altura.

Carlos AlmeidaImproviso e riscoMenina usa ‘‘pinguela’’ construída com eucaliptos para atravessar o rio; no detalhe, moradores tentam travessiaPara não perder a comunicação total entre os distritos, os moradores improvisaram uma passarela com eucaliptos. A ‘‘pinguela’’ tem 12 metros de comprimento e está a 15 metros do chão, o que põe em risco a vida dos que se atrevem a passar por ela. ‘‘Por aqui passamos cerca de 200 litros de leite toda manhã, carregando nas costas’’, conta o mecânico Oliveira Amaro, 37 anos, morador do distrito Imbaú. As crianças também não se intimidam em se equilibrar sobre os eucaliptos da ‘‘pinguela’’.
O fazendeiro Dartagnan Fraiz, de Andirá, é dono de duas propriedades rurais próximas da ponte, uma de cada lado. Para atender as duas, ele está fazendo uma verdadeira maratona. ‘‘O pior é que não temos expectativas de que o problema seja solucionado rapidamente. Se não houver pressão, os moradores vão sofrer por um bom tempo sem a ponte’’, lamenta Fraiz.

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